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50 anos da chegada à lua

Onde estava quando o homem chegou à Lua?

Foi através dos jornais que o astrónomo Rui Agostinho acompanhou a viagem da Apollo 11. Tinha 10 anos e vivia em Moçambique, onde a televisão ainda não chegava. Cinquenta anos depois, voltou a olhar para as páginas do DN para recontar esta história.

Dezembro de 1968 corria em Lourenço Marques (hoje Maputo), onde a família estava. Eu tinha 10 anos e o meu pai era chefe das telecomunicações do aeroporto da capital. Além disso era um entusiasta do espaço, um autodidata nestas coisas que comprava livros sobre ciência e tecnologia, que eu lia e me deliciavam. Por entre os futurismos de Wernher von Braun estavam também a enciclopédia de ciências e a vasta coleção de ficção científica onde figuravam Robert Heinlein, Isaac Asimov, Ray Bradbury e Curt Siodmak entre tantos outros.

Em 1968 assisti com ele ao 2001 - Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick (em Cinema Scope se bem me lembro), filme que marcou pelas imagens artísticas da Terra e da Lua, da Estação Espacial (EE) imaginada segundo o modelo que Von Braun defendia, da beleza do transportador Orion III da Pan-Am que bailava em sincronia com Strauss enquanto aportava em rodopio lento na EE, das hospedeiras com sapatos de velcro para não flutuarem tal como se faz na ISS, além das inimagináveis videochamadas para a Terra. (Nota: veja-se o filme para entender onde o Star Wars foi copiar ideias.)

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.