Premium Casais que tentam adotar. "As pessoas não desistem, quando muito desistem por exaustão"

Candidatos à adoção dizem-se vítimas de critérios subjetivos e de falta de transparência. Esperaram, esperaram, até serem velhos para adotar.

"Não revelaram as capacidades necessárias para suprir as necessidades de uma criança." Sílvia mal percebeu estas últimas palavras, chorava compulsivamente. Acabara de ler a carta registada que dizia que ela e o marido eram "inaptos" para a adoção. Sentia toda a justificação como um atestado de incompetência para ser mãe, ela que tem dois filhos biológicos e a quem os outros pais confiam os filhos. Escreveram as técnicas: "Baixa capacidade de empatia, baixo autocontrole, muito autocentrada, grande exigência e rigidez, baixo suporte emocional, pouca capacidade de adaptação, estratégias educativas desadequadas com os filhos, existência de padrões conjugais instáveis (divórcio de ambos) ", etc.

"Desatei a chorar nos Correios. Pensei: 'O que é que eu fiz de mal a estas senhoras para dizerem coisas tão horríveis de mim?'", recorda Sílvia Saraiva, 55 anos, endocrinologista. Ela e o marido, Frederico Teixeira, 44 anos, ortopedista, candidataram-se à adoção há cinco anos". Recusaram-lhes a candidatura, recorreram e venceram. Voltaram à lista de adoção mas esbarraram na idade e em regras que dizem ser "subjetivas e pouco transparentes".

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.