Premium Ano de apreensões recorde. Cocaína chega em veleiros e é cada vez mais

Em meio ano foram apreendidas 20 mil toneladas de droga que tinham como destino a Europa, mais do que em todo o ano de 2018. Os especialistas dizem que há "um tsunami de cocaína" a cruzar o oceano - e chegam em veleiros. Lisboa coordena o combate.

Duas da manhã e o barco de pesca Wood balança no meio do oceano Atlântico, ao largo de Cabo Verde e a 4000 quilómetros de Lisboa. Quando duas lanchas com fuzileiros se aproximam da embarcação, os sete tripulantes a bordo - pescadores pobres de Fortaleza, Brasil - não oferecem resistência. Escondida num compartimento de difícil acesso estava uma tonelada de cocaína com destino à Europa.

Os investigadores acreditam que os homens se preparavam para fazer o transbordo para outro barco no meio do oceano. A Operação Areia Branca aconteceu em maio deste ano e foi coordenada pela Polícia Judiciária, mas teria sido impossível de concretizar sem o apoio da Marinha e da Força Aérea portuguesas, ou sem as informações recolhidas em vários países pelo Maritime Analysis and Operations Centre Narcotics (MAOC -N), uma plataforma que coordena todas as operações que travam o tráfico de droga no Atlântico e que tem sede em Lisboa. A capital portuguesa é descrita pela imprensa internacional como a torre de vigia do imenso mar usado pelos narcotraficantes e a agência é quase tão secreta como as operações que coordena.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.