Eleição de Ursula von der Leyen

A União Europeia tem um papel cada vez mais relevante nas nossas vidas e muitas das questões atuais mais relevantes, que influenciam não só o presente como o futuro dos países europeus e de toda a "aldeia global", só poderão ser solucionadas através de respostas europeias concertadas.

Mas para que estas respostas sejam dadas é necessário que todos os cidadãos europeus vejam as suas preocupações atendidas, sendo que muitas destas são transversais não só a nacionalidades, como a gerações e até a afinidades políticas como, por exemplo, as questões ambientais ou a crise migratória.

Nesta semana, foi eleita presidente da Comissão Europeia a alemã Ursula von der Leyen. A primeira mulher a ocupar este cargo discursou perante os deputados ao Parlamento Europeu expondo uma visão ambiciosa e exigente para a Europa dos próximos anos, abordando diversos temas.

A moderação, a ponderação e a clarividência das suas palavras são condições imperativas para liderar a Europa atual.

Assim, se a postura demonstrada pela recentemente eleita presidente da Comissão Europeia se mantiver serão, sem dúvida, anos de grandes e importantes avanços.

Desde logo, a relevância dada às questões ambientais, colocando como prioritário o combate às alterações climáticas, através do alcance da neutralidade carbónica, da forma mais célere possível, o que demonstra que este não é um objetivo exclusivo dos partidos "verdes", mas de todos.

A crise migratória, um dos desafios mais exigentes com o qual o continente europeu tem lidado nos últimos anos, foi também mencionada neste discurso, apresentando medidas concretas, como a criação de corredores humanitários em colaboração com a ONU, para contrariar a inércia sentida, atualmente.

Ursula von der Leyen falou também do objetivo premente de erradicar a pobreza na infância, através de uma garantia infantil para assegurar que cada uma das crianças na Europa tem acesso aos direitos mais básicos, e ainda da urgência em criar medidas concretas para combater a violência contra as mulheres, nomeadamente através da criminalização destes comportamentos, em toda a Europa. Esta é uma matéria especialmente relevante para Portugal, atendendo à gravidade que o tema assumiu nos últimos anos.

Um dos temas abordados, e que muito afeta o nosso país, foi o desemprego jovem, relembrando que apesar de a média europeia deste desemprego ser de 14,2%, existe uma enorme amplitude de valores entre países, iniciando-se nos 5% até aos 40%.

Foi um discurso que mostrou a amplitude de desafios que a Europa tem de superar, nos próximos anos, e a vontade da nova líder europeia de o conseguir. Se será bem-sucedida, teremos de aguardar para saber, porque como disse Ursula von der Leyen, logo após a sua eleição, o "trabalho começa agora" e será necessário passar das palavras às ações concretas.

Presidente da JSD

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