Aposta em certificados de poupança do Estado caiu para metade

Os portugueses continuam a financiar o Tesouro. Mas a um ritmo mais baixo depois de os juros destes produtos terem descido em outubro do ano passado.

Os certificados de poupança do Estado atraíram a procura mais baixa dos últimos cinco anos. Nos primeiros seis meses do ano, o valor aplicado em certificados do Tesouro e em certificados de aforro cresceu apenas 708 milhões de euros, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco de Portugal. O ritmo de subscrições é metade do verificado no mesmo período de 2017. Desde 2013 que a entrada de dinheiro nestes produtos não era tão baixa.

A menor aposta dos aforradores em certificados de poupança acontece depois de, em outubro do ano passado, o Tesouro ter feito alterações nas condições oferecidas. Na altura, os certificados do Tesouro Poupança Mais foram substituídos pelos certificados do Tesouro Poupança Crescente. Os juros baixaram e o prazo máximo do produto aumentou. Se antes daquela data o Estado pagava uma taxa média de 2,23% nos cinco anos de vida do produto, o novo instrumento oferece um juro médio de 1,38% para quem os detenha durante sete anos.

Ainda assim, a taxa proposta pelo Estado continua a ser bem mais elevada do que outras soluções de poupança, como os depósitos bancários, o que ajudou a que os certificados do Tesouro continuassem a contribuir para o financiamento do Estado. Nos primeiros seis meses do ano, os portugueses subscreveram 776 milhões neste produto. No total, as aplicações são de 15,8 mil milhões de euros.

Os certificados do Tesouro são cada vez mais populares face aos certificados de aforro. Nos primeiros seis meses do ano, o valor aplicado nos certificados de aforro desceu 68 milhões de euros para cerca de 11,9 mil milhões de euros. Tinham sido ultrapassados pelos certificados do Tesouro no valor investido em abril do ano passado. Os certificados de aforro pagam uma taxa ilíquida de 0,678%, a que acresce um prémio de 0,50% a partir do segundo ano da aplicação e de 1% entre o sexto e o décimo ano do investimento.

Entre estes dois produtos, o Estado captou nos primeiros seis meses do ano 708 milhões de euros. Mesmo com o abrandamento, o valor aplicado em certificados de poupança atingiu em junho um máximo histórico de quase 27,7 mil milhões de euros. Apesar de o ritmo de subscrições ser mais moderado do que nos anos anteriores, ainda é bem diferente do que acontecia antes de 2013, altura em que os portugueses estavam a tirar dinheiro de produtos do Estado.

A recuperação das famílias como uma das fontes de financiamento do Tesouro levou a que Portugal passasse a ser um dos países com maior peso dos particulares. A proporção das famílias na dívida do Estado é de mais de 10%. Há cinco anos era de pouco mais de 5%.

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