Premium Nacionalistas à porta

Na véspera das eleições legislativas, a sustentabilidade do PSOE, a fragmentação do PP, a agressividade dos debates e a ascensão dos nacionalismos esticam até Portugal vários dos dilemas espanhóis que estão a percorrer a Europa. A nossa suposta excecionalidade pode não ser eterna.

A uma semana das legislativas, o momento político espanhol cristalizou o ódio latente no discurso político, corrente de transmissão entre ruas e instituições desde que a dinâmica catalã passou a monopolizar a política nacional. Apesar de o bom desempenho económico dos últimos três anos não ter gerado estabilidade política, a consolidação do pentapartidarismo como leque variável de soluções governativas acabou por concentrar num curto espaço de tempo uma improbabilidade, uma inevitabilidade e uma incógnita.

A improbabilidade está na iminente vitória do PSOE, cujo fim dos nove meses de governo minoritário ditaram a antecipação destas eleições. Pedro Sánchez já sofreu derrotas internas, regionais e nacionais, mas parece razoável afirmar que permanece, no espaço político sistémico, europeísta e cosmopolita, o único porto de abrigo que a Espanha oferece. A ver pelo que aconteceu aos sociais-democratas nas recentes eleições suecas e finlandesas, vencedores à tangente de coligações não nacionalistas, talvez seja prematuro decretar o fim continental a um centro-esquerda moderado. Aliás, nunca como hoje ele foi tão necessário, desde que exerça a sua responsabilidade histórica expurgado dos anátemas que o têm minado (corrupção, nepotismo, cristalização programática), aproveitando o voto de confiança como um fator de legitimidade acrescida no momento-fronteira que atravessamos. A sua falência é a passadeira estendida ao moralismo nacionalista à esquerda e à direita. Ou seja, o fim das democracias liberais como as entendemos.

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