Premium "Qual nicho qual carapuça?" Mentor do Festival Músicas do Mundo explica sucesso com 20 anos

Já começou em Porto Covo mais uma edição do Músicas do Mundo. Três dias de entrada livre e de festa. No domingo, o festival muda-se para Sines e cumpre 20 anos. O mentor do evento, Carlos Seixas, recorda a aventura.

Já lá vão 20 anos desde a primeira edição, mas há muito que o Músicas do Mundo, em Sines, atingiu a maioridade, enquanto evento de referência da denominada world music. Mesmo a nível internacional, como o atestam o Prémio de Melhor Alinhamento Artístico nos Iberian Festival Awards ou a inclusão na lista dos melhores 25 festivais de world music do mundo, pela revista britânica Songlines.

Em entrevista, Carlos Seixas, diretor artístico do festival desde a primeira hora, considera que o Músicas do Mundo de Sines é nos dias que correm "um ato de resistência" perante uma sociedade cada vez mais fechada. Afinal, ao longo de 20 anos, o Festival Músicas do Mundo de Sines já recebeu "cerca de 1200 milhões de espectadores" que assistiram a 589 concertos de 3200 músicos, oriundos de mais de cem países e regiões. Neste ano, informa a organização, entre os três dias em Porto Covo e os sete em Sines, vão ser mais 51 músicos: "Vai ser uma verdadeira volta ao mundo através da música."

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.