Premium PT-AO. Um pré-acordo para uma pré-agenda de visita

Em setembro, o primeiro-ministro português, António Costa, será recebido em Luanda para uma visita de Estado. Há muito que o encontro com o presidente angolano, João Lourenço, era falado nos bastidores da política e almejado pelos empresários nacionais, ansiosos por ver restabelecidas, e com confiança, as relações económicas entre Portugal e Angola.

Ainda faltam dois meses para a reunião entre os decisores, agendada para 17 e 18 de setembro. O governo angolano, preparando terreno para o encontro, anunciou agora que está em fase de conclusão uma convenção para acabar com a dupla tributação entre Angola e Portugal, considerada essencial pelos empresários dos dois países, que reclamam ainda um instrumento de proteção recíproca dos investimentos há vários anos.

O anúncio foi feito em Luanda, pelo secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades angolanas, Domingos Vieira Lopes, na abertura do fórum empresarial promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA). Segundo o governante angolano, esse acordo, na forma de convenção para "se evitar a dupla tributação" entre Portugal e Angola, está em fase final de elaboração, devendo estar concluído até à visita oficial a Luanda do primeiro-ministro português, António Costa, em setembro próximo. "Está em curso e praticamente concluído o acordo para se evitar a dupla tributação entre Angola e Portugal", disse, acrescentando que também o Acordo de Proteção Recíproca de Investimentos "continua em negociação", e deverá ser concluído até à visita do primeiro-ministro português, daqui a sessenta dias.

Este será um passo decisivo para as relações bilaterais e a promoção do investimento e o comércio entre os dois países, consideram políticos e empresários. O secretário de Estado da Internacionalização de Portugal, Eurico Brilhante Dias, considera ainda que a visita de António Costa a Angola representará "uma nova energia e um novo impulso" nas relações bilaterais económicas.
Depois de Domingos Vieira Lopes ter dito que o governo de Angola "reconhece os constrangimentos" e "um certo abrandamento" recente nas relações políticas, diplomáticas e económicas entre os dois países", espera-se que este seja um dos vários pontapés de saída para um jogo com fair play e muitos golos para ambas as partes.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.