Premium Houellebecq: o terrorista literário que antecipou a luta dos coletes amarelos

O escritor Michel Houellebecq é incapaz de escrever um romance que não infrinja regras ou em que a provocação esteja ausente. Serotonina, o seu novo livro, não escapa à tradição.

Em França, nenhum escritor vende mais do que uns milhares de exemplares de um romance se não tiver o Prémio Goncourt por trás, um escândalo... ou uma previsão que se concretiza. Essa tem sido a receita que Michel Houellebecq repete há vários livros, desta vez com uma previsão da violência dos coletes amarelos, tanto assim que o seu editor já mandou imprimir mais 50 mil livros após uma tiragem inicial pouco habitual de 320 mil, e decerto irá imprimir mais e vender direitos de autor a um valor mais elevado e para países aonde a febre Houellebecq ainda não tenha chegado. Um verdadeiro terrorista literário que seduz o mundo.

O novo romance do autor francês chama-se Serotonina (Sérotonine), o nome de uma substância que inibe a violência, equilibra o desejo sexual, regula a angústia e a ansiedade, ou seja, tudo o que enche as quase quatrocentas páginas do mais recente romance de Houellebecq, lançado na semana passada em França. Basta ler o artigo da revista The Atlantic, em que as opiniões do escritor vertidas em Serotonina surgem explicadas sob todos os ângulos e, principalmente, com laivos de alguma inveja porque o autor escreveu um ensaio para uma outra publicação, a Harper's Magazine, em que elogiava Donald Trump e criticava a União Europeia.

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