Premium "A Polónia tem um problema com o discurso do ódio"

Jurista que tem dedicado a vida profissional e pessoal na defesa dos direitos cívicos, Adam Bodnar é desde 2015 o comissário dos Direitos do Homem da República da Polónia, cargo para o qual foi eleito pelos deputados.

Gdansk, a cidade onde nasceu em 1980 o sindicato e movimento antissoviético Solidariedade, liderado por Lech Walesa, viu o seu presidente da câmara de há duas décadas, Pawel Adamowicz, ser esfaqueado em palco durante um concerto de caridade no domingo passado. Adamowicz, de 53 anos, acabou por sucumbir aos ferimentos no dia seguinte. O assassínio de um político progressista - defensor dos direitos das minorias e da imigração - num país em deriva ultraconservadora e com a sociedade cada vez mais polarizada fez soar os alarmes do Estado de direito.

O assassínio do autarca de Gdansk chocou a Europa e colocou a Polónia debaixo dos holofotes. Este acontecimento pode ser visto como um incidente isolado, ou é uma consequência de uma sociedade cada vez mais polarizada?
Na minha opinião, é demasiado cedo para apurar se se tratou de um incidente isolado. Ainda não sabemos qual foi a verdadeira motivação do perpetrador. De facto, ele estava a dizer palavras de ordem política logo após o ataque ao presidente da Câmara de Gdansk, mas ainda não podemos afirmar se culpou a Plataforma Cívica (partido da oposição) pelo seu infortúnio pessoal ou se este ataque fazia parte da sua visão mais ampla da política, possivelmente em consequência do clima político na Polónia. Há uma necessidade de explicar todas essas questões e essa explicação precisa de algum tempo e reflexão.

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