Premium Um brinde a Fellini, Mastroianni, Antonioni… e tutti quanti

Depois de abrir a Festa do Cinema Italiano, Noites Mágicas, de Paolo Virzì, chega às salas. Uma crónica turbulenta e espirituosa sobre a fratura entre os protagonistas da era gloriosa do cinema italiano e uma nova geração.

O ano de 1990 foi o do derradeiro filme de Federico Fellini (1920-1993). A Voz da Lua, modestamente recebido pelo público e revelando-se, na altura, uma deceção para a crítica, configura o desvanecer de um tempo. É uma comédia nostálgica que adapta à grande tela o romance Il Poema dei Lunatici, de Ermanno Cavazzoni, e tem como protagonista um Roberto Benigni igual a si próprio - romântico, cândido e sonhador -, a representar, com toda a clareza, o que restava do sentimento poético do cineasta nesse momento. Ou melhor, a representar a sua procura de uma forma de fazer silêncio no meio do chinfrim contemporâneo.

Com o seu quê de ironia, 1990 foi também o ano em que a Itália perdeu a penáltis para a Argentina de Maradona na semifinal do Campeonato Mundial de Futebol... O que é que uma coisa tem que ver com a outra? São factos aparentemente díspares, que adquirem uma importância simbólica na crónica de Noites Mágicas, de Paolo Virzì: com essa última obra do grande mestre Fellini, qual pedra tumular, assinalava-se uma espécie de epílogo definitivo do que então sobrava da época gloriosa do cinema italiano; por sua vez, com o fenómeno da transmissão televisiva dos jogos, em vários momentos do filme, é notório o poder "nefasto" do pequeno ecrã sobre as paixões populares. De forma inevitável, este contribuiu para a transformação da lógica da indústria do cinema - e, por inerência, foi um dos responsáveis pelo enterro da dita era gloriosa. Enfim, será mais complexo do que isso...

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