Premium Capitã Europa ou pirata? Carola Rackete volta hoje a tribunal

Foi capa de jornais com títulos como "Capitã Europa" ou "Capitã coragem". Para o ministro italiano Matteo Salvini é uma "pirata" que cometeu "um ato de guerra" ao atracar em Lampedusa com 40 migrantes resgatados. A ativista alemã arrisca pena de prisão.

Carola Rackete, a capitã do navio humanitário Sea Watch 3, é ouvida nesta quinta-feira pelo tribunal de Agrigento, na Sicília. A sessão com a ativista tinha sido marcada para dia 9, mas foi adiada por causa de uma greve contra a política prisional do governo e à qual aderiram os advogados de defesa.

É o regresso de Carola Rackete, de 31 anos, a tribunal. Depois de esperar em águas internacionais por mais de duas semanas com 41 migrantes recolhidos nos mares ao largo da Líbia, decidiu entrar no porto de Lampedusa, no dia 29 de junho, ignorou as ordens das forças navais e colidiu com um barco patrulha. Em consequência foi detida.

No dia 3 de julho a juíza Alessandra Vella não deu provimento ao pedido da procuradoria em mantê-la em prisão domiciliária sob a acusação de desobediência a um navio de guerra, quando atracou o navio em desafio às leis italianas. A juíza Vella disse que a comandante cumpriu o seu dever e minimizou a colisão, a qual, aliás, a capitã explicou entretanto que foi "um acidente" de manobra. A juíza também recusou dar aval à ordem de expulsão do país.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.