Covid-19. Restrições a viagens tiraram 18 milhões de passageiros aos aeroportos nacionais

Comparando com o primeiro semestre de 2019, passaram pelos aeroportos portugueses menos 18 milhões de pessoas. Principal quebra diz respeito aos turistas do Reino Unido.

Se nos primeiros seis meses do ano passado os aeroportos portugueses já tinham contabilizado mais de 27,9 milhões de movimentos de passageiros, os resultados do primeiro semestre de 2020 mostram uma acentuada quebra (de 64,5%), resultante das restrições às viagens aéreas não essenciais impostas devido à pandemia de covid-19.

Assim, até junho, os movimentos de passageiros (compreende os embarques, desembarques e trânsitos diretos) nos principais aeroportos totalizaram no acumulado dos seis meses 9,9 milhões, menos 18 milhões de passageiros em comparação com o primeiro semestre de 2019.

As estatísticas rápidas do transporte aéreo, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que, em janeiro e em fevereiro, os movimentos de passageiros até estavam acima dos valores do ano passado. Enquanto em janeiro e fevereiro de 2019 estes valores se situavam nos 3,5 e 3,4 milhões, respetivamente, em 2020 ultrapassaram em ambos os meses a marca dos 3,7 milhões de pessoas, com subidas de 6,7% em janeiro e 10,1% em fevereiro.

A partir do momento em que foram decretadas as restrições às viagens não essenciais, em março, os movimentos de passageiros desceram abruptamente, passando para 1,9 milhões de passageiros, um valor 53,5% abaixo dos dados de março de 2019. Em abril, os números agravaram-se significativamente: os aeroportos portugueses registaram apenas 34 mil passageiros, um tombo de 99,4%.

O mês de maio, apesar de continuar consideravelmente abaixo dos movimentos do ano anterior, revela alguns indícios de recuperação na variação homóloga: o movimento de passageiros passou para os 82 mil. Ainda assim, 98,5% abaixo dos valores de maio de 2019.

Junho é o mês mais recente dos dados do INE, que considera os movimentos de passageiros nos aeroportos ainda "inexpressivos". Passaram pelos aeroportos nacionais pouco mais de 318 mil passageiros, um decréscimo de 94,6% em relação a junho do ano passado.

Analisando por aeroportos, os movimentos de e para o aeroporto de Faro no primeiro semestre evidenciam a maior quebra (menos 79,9%), passando dos quase quatro milhões de passageiros até junho de 2019 para 799 mil passageiros até junho deste ano. Lisboa continuou a representar mais de metade dos movimentos dos aeroportos nacionais, mas perdeu 61,3% dos passageiros, passando dos 14,6 milhões para 5,6 milhões. No caso do aeroporto Francisco Sá Carneiro, a quebra de tráfego de passageiros foi de 62,9%, a segunda maior entre os principais aeroportos: passou dos 6,2 milhões no primeiro semestre de 2019 para os 2,3 milhões até junho.

Maior redução nos passageiros britânicos

Os dados preliminares do INE contemplam também quais os principais países de origem e destino dos passageiros movimentados nos aeroportos nacionais. Embora França continue a ser a principal origem e destino dos voos dos passageiros movimentados, pertence ao Reino Unido, que ocupa o segundo lugar da tabela, a maior quebra nos passageiros.

Até junho, tinham passado pelos aeroportos nacionais 573,8 mil passageiros vindos do Reino Unido, menos 72,2% face ao período homólogo de 2019. Já em relação aos passageiros com destino ao Reino Unido, a quebra é de 69,8%, com 612,9 mil passageiros.

A segunda maior quebra nos movimentos de origem e destino do voo pertence à Alemanha, com um recuo de 67,9% (398 mil passageiros) e 65% (435,9 mil), respetivamente. Espanha e Brasil compõem o restante ranking dos cinco principais países.

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