Premium A paz pela força. Ou como as forças dos EUA estão em (quase) todo o mundo

Há 165 mil militares norte-americanos em missão fora do país, em mais de 160 países. A recente mudança de estratégia, que visa poder combater uma potência e dissuadir outra agressão simultânea, não traz, para já, alterações neste xadrez.

A ameaça não é recente, mas ganhou novos contornos na semana passada. O embaixador norte-americano em Berlim considerou "ofensivo" que os contribuintes norte-americanos "continuem a pagar pela presença de mais de 50 mil norte-americanos na Alemanha" enquanto o governo germânico "pode gastar o excedente orçamental em investimentos nacionais". À agência DPA, Richard Grenell declarou: "Vários presidentes [dos EUA] pediram à maior economia da Europa para pagar pela sua própria defesa. Este pedido foi feito ao longo de muitos anos e por muitos presidentes. Penso que estamos no ponto em que os americanos e o presidente dos Estados Unidos estão a reagir à derrota das várias administrações." Estes comentários surgiram horas depois de a embaixadora dos EUA em Varsóvia, a empresária Georgette Mosbacher, ter lembrado que a Polónia cumpre as obrigações de gastos na Defesa assumidos pelos Estados membros da NATO (2% do produto interno bruto), ao contrário da Alemanha. "Daríamos as boas-vindas às tropas norte-americanas na Alemanha", escreveu no Twitter. Em junho, o próprio presidente já tinha falado na hipótese de transferir mil soldados da Alemanha para a Polónia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, veio entretanto acalmar os ânimos, ao explicar que o seu país não está a violar o acordo da NATO, porque a despesa afeta à Defesa está "na direção dos 2%" do PIB. Neste ano, Berlim vai gastar 1,36%. "Depois temos muito trabalho para fazer nos próximos anos", disse Angela Merkel, que tem como meta atingir 1,5% em 2024. A questão da despesa militar é uma das que separam Berlim de Washington, a par do acordo nuclear com o Irão (e do recente pedido dos EUA para a Alemanha se juntar à força de patrulhamento no estreito de Ormuz), o projeto germano-russo do gasoduto Nord Stream 2, ou a política comercial. Muitas divergências com o aliado europeu que mais soldados e funcionários acolhe (52 mil).

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