O dia em que Bruno de Carvalho ameaçou voltar à presidência

Nas redes sociais dizia-se que uma série da Netflix com este argumento receberia críticas de irrealismo. Horas longas na véspera de o Sporting reaparecer oficialmente em Alvalade pela primeira vez depois dos casos de Alcochete.

17 de agosto de 2018, véspera do primeiro jogo oficial em Alvalade da equipa de futebol profissional do Sporting depois dos terríveis ataques a Alcochete em maio passado. O dia também em que Bruno de Carvalho, o primeiro presidente da história do clube leonino a ser destituído, "ameaçou" regressar à presidência do Sporting.

O alarido levantou-se logo de manhã nas redes sociais com os apoiantes de Bruno de Carvalho a falar em "bomba" para as 12.00. Foi um pouco mais tarde que o ex-presidente leonino se apresentou em Alvalade com o seu advogado, José Preto, pai, irmã e alguns membros da sua lista. Logo aí foi passada a informação de que Bruno de Carvalho queria fazer valer uma eventual decisão do tribunal que suspendia a decisão da deliberação da assembleia geral destitutiva de 23 de junho.

Começou-se a fazer contas de como seria, pois mesmo com a decisão anulada, a verdade é que Bruno de Carvalho já se encontrava suspenso quando ocorreu a reunião magna. E mesmo assim teria quórum, visto que perdeu cinco elementos para a lista formada por Carlos Vieira?

Entrou nas instalações do clube, mas não foi recebido pelos elementos da comissão de gestão. Dialogou tão-somente com o departamento jurídico.

Afinal percebeu-se que ainda não havia qualquer decisão do tribunal, Bruno de Carvalho teria apresentado um registo da impugnação da referida assembleia.

À força ou de livre vontade?

À saída de Alvalade, pelas 15.00, Bruno de Carvalho falou aos jornalistas e voltou a deixar uma garantia: "Dentro de dias voltarei a trabalhar como legítimo presidente da SAD e do clube. Neste momento o presidente do clube chama-se Bruno de Carvalho e o presidente da SAD chama-se Bruno de Carvalho. Está para breve o nosso voltar a casa. É um sítio que é nosso por direito, porque assim os sócios o quiseram." E acusou os elementos da comissão de gestão de não terem dado a cara.

Ficamos sem saber se Bruno de Carvalho saiu das instalações pelo seu pé ou sob ordem policial.

"O ex-presidente e os ex-membros do conselho diretivo foram destituídos pelos sócios em AG. Essa decisão foi imediata e integralmente implementada. No passado 1 de agosto o Sporting foi citado para tomar posição por providência de ex-presidente na qual era pedida a suspensão da posição social adaptado na AG. Encontra-se a deduzir o prazo, não tendo sido proferida qualquer decisão do tribunal. O ex-presidente compareceu hoje nas instalações alegando ter decisão do tribunal. Analisada a documentação concluiu-se, afinal, ser tudo mentira. Não existia decisão judicial que suspenda decisões tomadas por sócios e que permite um reassumir funções. Tendo o ex-presidente recusado retirar-se das instalações, mesmo depois de comprovado que trazia mão-cheia de nada e a outra cheia de coisa nenhuma, foi pedida a intervenção da PSP que garantiu a sua saída", disse Torres Pereira que acusou Bruno de Carvalho de ter ultrapassado "todos os limites" e, por isso, de estar a perder "os apoiantes que ainda lhe restam". Ainda decorria a conferência de imprensa de Torres Pereira e que se tinha iniciado pelas 18.20 e já o staff de Bruno de Carvalho anunciava uma nova conferência para as 20.00.

Palhaçada

O último episódio deste longo dia serviu para Bruno de Carvalho começar por historicizar juridicamente a questão: "No registo comercial do Sporting, pode verificar-se que no dia 13 de agosto foi registada a impugnação da deliberação da Assembleia Geral de dia 23. Foi feita mediante despacho judicial. Significa que desde 1 de agosto, os agentes e as gentes de Marta Soares não podem ignorar que todos os atos são nulos ou inexistentes, por práticas contra a letra expressa da lei." Logo a seguir desmentiu que tivesse saído à base da força de Alvalade: "Fomos nós que chamámos na véspera a polícia. Quem pediu ao comandante para ir identificar fomos nós, porque eles cobardemente não deram a cara. De livre vontade fomos embora. Ninguém põe em causa o meu amor pelo Sporting. Há timings para fazermos as coisas e por isso tivemos que as fazer hoje. Não estamos esquecidos que amanhã temos um jogo importantíssimo e queremos que o Sporting ganhe e ganhe bem, ao contrário do que fizeram crer Torres Pereira e Sousa Cintra." Este último tinha dito aos jornalistas, a propósito de Bruno de Carvalho, "que chegava de palhaçada". Bruno de Carvalho, que se considera obviamente presidente do Sporting e da SAD, respondeu com uma promessa: "Com uma má educação tremenda, como é apanágio de Sousa Sintra, diz que não está pronto para palhaçadas. Vou em breve colocar algumas fotos dele no meu casamento para percebermos até que ponto está pronto para palhaçadas."

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