Premium Dos 27 aos 60 anos, os motoristas que pararam o país

Três motoristas de materiais perigosos, dos 27 aos 60 anos, contam-nos as dificuldades de trabalhar 12 a 18 horas por dia e porque os atuais 630 euros de salário-base não chegam.

Por baixo de um viaduto, protegidos da chuva, algumas dezenas de motoristas de matérias perigosas esperam para ver quem é que vai garantir "os serviços mínimos que, ainda assim, vão manter o caos no país". Quem o diz é Pedro Henriques, advogado e vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP).

Aos 60 anos, Manuel Francisco trabalha há mais de 20 como motorista. O seu trabalho diário atual envolve transportar pelo país uma cisterna de gás propano. O que o preocupa não é o dia-a-dia atual e o salário que recebe, mas o futuro. "Não temos tido nenhum tipo de aumento real no ordenado-base nos últimos 20 anos e, agora, com o novo contrato coletivo em que fomos ignorados, a possibilidade de recebermos pelas horas extra está nas mãos dos patrões e ficamos à sua mercê", explica de forma calma o motorista de matérias perigosas, que garante que não quer trabalhar "perante uma ilegalidade que se quer tornar real".

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