Premium Trump e Putin têm 92% das armas nucleares do mundo

Presidente norte-americano considera "ridículo" o arsenal nuclear nas mãos das duas potências e diz que tanto ele como o homólogo russo querem "acabar com esse problema".

EUA e Rússia possuem, em conjunto, 92% do arsenal nuclear do mundo e esse foi um dos temas discutidos pelos presidentes norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin, na cimeira em Helsínquia.

Segundo os dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), no início de 2018, nove países possuíam aproximadamente 14 465 armas nucleares. Além da Rússia (6850) e dos EUA (6450), as restantes armas estão no Reino Unido (215), em França (300), na China (280), na Índia (130 a 140), no Paquistão (140 a 150), em Israel (80) e na Coreia do Norte (10 a 20).

Das 6850 russas, cerca de 4350 estão no ativo (armazenadas ou de prontidão), com 1440 delas já colocadas em mísseis. Outras 2500 já não fazem parte das reservas, aguardando para serem desmanteladas. Do lado norte-americano, cerca de quatro (há outras fontes que falam em 3800) estão prontas a ser usadas, com 1350 já em mísseis. Outras 2550 estão prontas para serem desmanteladas.

"Discutimos a proliferação nuclear. Depois de hoje, estou certo de que nós e eles queremos acabar com esse problema", disse Trump na conferência de imprensa, falando em parar a proliferação nuclear e considerando "ridículo" que as duas potências tenham 92% do arsenal nuclear.

Já Putin lembrou que ambos os países têm responsabilidades a nível da segurança internacional enquanto potências nucleares, indicando ser necessário trabalhar em conjunto no desarmamento nuclear. E explicou ter dado aos "colegas americanos" uma "nota com sugestões específicas".

Controlo nuclear

Na conferência de imprensa, Putin falou na necessidade de alargar o prazo do Tratado sobre Reduções de Ofensiva Estratégica, que antecedeu o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, mencionando ainda os "problemas de implementação" do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermédio. Estes são os dois acordos que existem atualmente entre os EUA e a Rússia para o controlo de armamento nuclear.

Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (conhecido como New START, em inglês):
Assinado em 2010 pelos anteriores inquilinos da Casa Branca e do Kremlin, Barack Obama e Dmitri Medvedev, este tratado limitou os arsenais nucleares estratégicos de ambos os países a 1550 ogivas nucleares em prontidão e a um máximo de 700 veículos de transporte.

O prazo para alcançar essa meta era fevereiro de 2018 e foi cumprido - o acordo inclui mecanismos de verificação e monitorização mútuos. O problema é que o acordo expira em 2021, podendo ser alargado por mais cinco anos (por decisão presidencial, sem acordo do Congresso dos EUA ou da Duma) ou renegociado. Putin mencionou alargar o prazo, mas Trump não falou em nada específico.

Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermédio (conhecido como INF):
Assinado em 1987 por Ronald Reagan e pelo soviético Mikhail Gorbachev, proibiu as duas potências rivais de terem mísseis balísticos e de cruzeiro que podem ser lançados do solo e tenham uma capacidade de alcance entre 500 km e 5500 km. Foi um grande sucesso então, mas agora há problemas.

Já desde 2014 que Washington acusa Moscovo de violar este tratado, ao testar mísseis de cruzeiro de alcance intermédio e, mais recentemente, em 2017, de os colocar no terreno. A Rússia nega que os mísseis em questão tenham tal alcance, mas tem falado na possibilidade de sair do tratado, alegando que este impede de desenvolver e possuir armas que os seus vizinhos, como a China, estão a desenvolver.

Por sua vez, Moscovo também alega que Washington não está a cumprir o tratado, nomeadamente com o seu sistema de defesa antimísseis na Europa, que também pode ser usado para disparar mísseis de cruzeiro. Em março, no seu tradicional discurso à nação, Putin vangloriou-se de ter desenvolvido armas nucleares capazes de penetrar o sistema de defesa norte-americano.

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Anselmo Borges

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