Premium Marina Silva. "Depois de décadas de protagonismo, o Brasil caminhará para trás"

Voz incontornável quando o assunto é meio ambiente, a candidata presidencial pelo Rede Sustentabilidade está preocupada com o futuro do Brasil nas mãos de Jair Bolsonaro, na área ecológica e não só. E as eleições de 2022? "Ainda é cedo..."

Maria Osmarina Silva, que mais tarde acrescentou o diminutivo Marina ao nome oficial, nasceu no Seringal Bagaço, no Acre, há 60 anos. Trabalhou no mato cortando seringueiras, quis ser freira, sobreviveu a cinco malárias, alfabetizou-se e licenciou-se em História. Um dia decidiu fazer um curso de liderança sindical rural, foi braço-direito do líder ambientalista Chico Mendes, entrou na política, foi ministra, senadora e três vezes candidata à presidência da República. A última, em outubro, pelo Rede, quando viu ficar em primeiro lugar Jair Bolsonaro, presidente que está nos antípodas daquilo que defendeu toda a vida em política ambiental. "Este governo, com um misto de deboche e orgulho, faz o Brasil retroceder", lamenta-se ao DN.

Está preocupada com os primeiros sinais dados por Jair Bolsonaro em matéria ambiental? A bancada ruralista, conhecida como Bancada do Boi, vai dar as cartas neste governo?
Vejo no projeto político do presidente eleito um risco imediato para a área ambiental. Ele já prometeu desmontar a estrutura de proteção ao meio ambiente, conquistada ao longo de décadas por gerações de ambientalistas, fazendo uso de argumentos tecnicamente insustentáveis e desinformados. Chegou ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura, depois recuou e anunciou um ministro inexperiente e com posições bastante controversas na agenda ambiental, como relativização dos dados sobre desmatamento e minimização do aquecimento global. Com isso, acaba atentando contra o interesse da própria sociedade e do país. Além disso, não considera os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras. A desistência do Brasil em sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019 (COP25) e as ameaças de sair do Acordo de Paris expressam a visão atrasada do governo em relação ao impacto que essas decisões podem ter para o Brasil no cenário internacional, inclusive nas relações comerciais com outros países. Infelizmente, depois de décadas de protagonismo, o país caminhará para trás.

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