Premium Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.

Aos poucos, vamos descobrindo - sobre a vida, a obra, as ideias, os métodos de trabalho do artista - tudo aquilo que já se esperava: a importância que Lynch confere aos seus próprios sonhos, muitas vezes a chave para as suas propostas cinematográficas, o peso fulcral das suas fixações (das pequenas cidades norte-americanas, sobretudo as que não escondem complexos industriais obsoletos ou abandonados, à ténue fronteira entre a harmonia da normalidade e os desvarios mais violentos), o refúgio conhecido na meditação transcendental, em que foi seguidor do mesmo mestre indiano que iniciou os Beatles, a intensidade e, até certo ponto, a volatilidade das suas paixões, tanto humanas - quatro casamentos com um filho ou filha por cada um, além do romance arrebatador com Isabella Rossellini, que terminou ao telefone -, as guerras, financeiras e criativas, que foi mantendo com a indústria visual (cinematográfica e televisiva) mais conservadora ou mais apegada ao lucro rápido.

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