Premium Entre a aventura marítima e a pesca do bacalhau: esta é a história da estátua de Corte-Real

A estátua de Gaspar Corte-Real não conta só a história de um navegador português que foi dos primeiros a chegar à Terra Nova e terá escravizado 57 indígenas, mas também dos esforços diplomáticos feitos pelo Estado Novo para melhorar as relações com o Canadá.

A estátua mostra um homem de capacete na cabeça e espada à cintura, braços cruzados e atitude imponente. A placa em baixo identifica-o como Gaspar Corte-Real, navegador português que chegou à Terra Nova no século XVI, "no início de uma era de grandes descobertas". O monumento está localizado em frente ao Confederation Building (a sede do governo) em St. John, capital de Terra Nova e Labrador, no Canadá, tendo sido doado por Portugal em 1965, como "agradecimento pela hospitalidade" daquela região aos pescadores portugueses, lê-se também na placa. É essa a estátua que agora está a ser contestada por um grupo de cidadãos que não quer ter ali um monumento a um homem que, de acordo com os documentos da época, terá estado envolvido na escravatura de 57 indígenas. Será esta alegação suficiente para deitar abaixo uma estátua?

"Não sabemos se ele terá de fato escravizado indígenas, quem seriam esses indígenas e quantos seriam ao certo. Mas sabemos que quando a estátua foi erigida em 1965 essa informação fazia parte da narrativa oficial sobre aquela personagem e não foi tida como suficientemente relevante ou grave para que ele não fosse considerado um herói", explica ao DN o historiador Gilberto Fernandes. "Ou seja, a estátua foi feita para celebrar um homem que se pensava que tinha realmente escravizado indígenas."

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