Premium Elza Soares vem do Planeta Fome para nos dizer que 'Deus É Mulher'

A cantora brasileira tem 89 anos e tem de atuar sentada, mas nada disso a faz parar. Em Lisboa, apresenta nesta terça-feira o livro Elza e na quarta sobe ao palco do Capitólio.

Em 1953, a brasileira Elza Soares tentou a sua sorte como cantora no programa Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso na Rádio Tupi. Ao ver Elza, uma menina de 13 anos, vestida sem glamour, com a roupa que era da mãe presa por alfinetes para se adequar ao seu corpo magro, o apresentador quis ridicularizá-la e perguntou-lhe: "De que planeta você veio, minha filha?" Ela não se intimidou e respondeu: "Do mesmo planeta que o senhor, seu Ary. Do planeta fome." E depois soltou a voz para interpretar o samba-canção Lama e acabou a receber aplausos e elogios. Essa sua primeira vitória profissional vai ser evocada no próximo disco de Elza Soares que, como foi anunciado na semana passada, irá chamar-se Planeta Fome e será lançado em setembro.

Mas, até lá, a cantora de 89 anos (idade não oficial) não para: neste momento está em Portugal para apresentar, nesta terça-feira, a biografia Elza, de autoria de Zeca Camargo, e também para, na quarta-feira, mostrar em concerto o seu último disco, Deus É Mulher.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.