Premium  Carlos Costa e brincar às comissões de inquérito

A chegada e a permanência de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é uma espécie de corolário lógico do que, com poucas exceções, foi o lamentável papel dos gestores dos bancos portugueses nas últimas décadas.

Para quem pensa que Carlos Costa já deu provas mais do que suficientes de inadequação ao lugar que ocupa, o pedido de exoneração feito pelo Bloco de Esquerda faz todo o sentido. Já se sabe que a destituição de um governador do Banco de Portugal é uma situação limite e que dado o papel que o Banco Central Europeu (BCE) agora tem se tornou praticamente impossível.

Apesar de tudo isso, o surpreendente é Carlos Costa manter-se ainda como governador. A incúria na supervisão do BES, a atitude meramente contemplativa quando a tempestade já era evidente e o papel que desempenhou na catastrófica resolução já não são discutíveis. E é preciso lembrar que ficou a sensação de que em muitas situações não passou de um executor de decisões do governo de então, ou seja, participou ativamente num processo de decisão política que apenas teve como objetivo a destruição do grupo BES sem que se ponderasse de forma séria se seria melhor para o país outra possibilidade.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.