Premium Saudades da unicidade sindical?

Mais de quarenta anos passados e parece que ainda há gente para a qual a questão da unicidade sindical é uma digestão não feita.

A onda de greves é o que é: uma onda de greves. Há classes profissionais que pensam ter direito a mais regalias, melhores salários e/ou condições de trabalho e os seus representantes organizam as ações de luta. Nada mais normal numa democracia. Apesar de as reivindicações por melhores condições de trabalho serem apenas uma parte do trabalho de um sindicato, perceber que estes estão a desempenhar com normalidade as suas funções é, nos tempos que correm, sempre uma boa notícia.

Até porque a crise do movimento sindical é profunda e global. Por muitas e más razões, os sindicatos deixaram de ter o papel fundamental que têm de ter numa democracia. A desregulação do trabalho ajudou, a precarização também, a globalização idem, mas as culpas próprias são mais do que muitas. Os sindicatos deixaram-se instrumentalizar por partidos políticos (uma coisa é nascerem ou crescerem à luz de uma ideologia, outra é atuarem em função de uma agenda partidária), esqueceram-se dos trabalhadores fora do sistema e converteram-se em simples defensores de direitos adquiridos, desprezaram em larga medida os trabalhadores da atividade privada ou, pelo menos, não houve o esforço necessário para organizá-los. A crise da representação via sindicatos é também mais um sinal da degradação das nossas democracias.

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