PAOK, o clube que não esquece Fernando Santos nem Sérgio Conceição

O clube de Salónica, adversário do Benfica no playoff da Liga dos Campeões, ficou célebre por há cinco meses o seu ex-presidente ter entrado em campo com uma pistola. Não ganha um campeonato há 34 anos mas tem uma forte ligação com os portugueses.

Se lhe dissermos que o Benfica vai defrontar o Panthessalonikeios Athlitikos Omilos Konstantinoupoliton muitos dirão que devemos estar enganados. Não, não estamos, referimo-nos ao PAOK Salónica, um clube cheio de história e um dos mais importantes da Grécia ao qual têm faltado títulos; o seu palmarés ostenta apenas dois campeonatos, o último conquistado na época 1984-85 e seis Taças das do seu país - a derradeira levantada há três meses pelo português Vieirinha, que até abriu o marcador no triunfo por 2-0 sobre o campeão AEK.

Foi precisamente numa partida, mas a contar para o campeonato, diante do AEK que o PAOK saltou para as principais agências noticiosas de todo o mundo, pois o seu antigo presidente, Ivan Savvidis, entrou em campo, com uma pistola e ameaçou o árbitro dizendo-lhe: "A tua carreira terminou hoje."


Era um encontro decisivo para a atribuição do título e os adeptos do PAOK não gostaram que o árbitro tivesse invalidado um golo por suposto fora-de-jogo. Invadiram o campo mas a falta de fair play dos adeptos foi abafado por Savvidis e a sua pistola.

Este comportamento valeu, claro está, a suspensão de Ivan Savvidis por três anos e a derrota no encontro, o que permitiu ao AEK sagrar-se campeão grego, interrompendo o ciclo hegemónico do Olympiacos.

Durante dois anos e meio o PAOK foi orientado por Fernando Santos, o segundo treinador da história do clube com mais jogos (105). O engenheiro não ganhou qualquer título, mas reforçou o seu prestígio junto dos adeptos do futebol grego, o que acabaria por ser crucial para se tornar selecionador grego - veja abaixo a loucura dos adeptos do PAOK numa chegada do técnico ao aeroporto. Obteve um segundo e um terceiro lugares, e a verdade é que em 2008-09 criou a ilusão de que podia devolver o título de campeão às gentes do principal clube de Salónica.


Nessas duas épocas, Fernando Santos orientou três portugueses: o guarda-redes luso-canadiano Daniel Fernandes, Vieirinha, na sua primeira passagem pelo clube, e Sérgio Conceição, com quem criou, a partir daí, uma excelente relação de amizade. Aliás, foi no PAOK que o atual treinador do FC Porto terminou a carreira com nove partidas em 2009-2010 e começou, logo a seguir, uma nova etapa na sua vida, a de diretor desportivo a convite do então presidente Zissis Vryzas, campeão da Europa em Portugal, no ano de 2004. Foi sol de pouca dura, pois seis meses depois abandonou por se sentir desautorizado. Nunca mais voltou a ser diretor desportivo.


Sérgio Conceição esteve em 47 encontros do PAOK no total, mas o português que mais jogos fez com o símbolo do PAOK é Vieirinha, cuja primeira passagem por Salónica o marcou bastante. Foi lá que conheceu a sua mulher e foi também lá que esteve quase a tornar-se internacional grego, numa decisão que esteve quase a ser apadrinhada pelo selecionador helénico de então, Fernando Santos, o seu selecionador quando se sagrou campeão europeu há dois anos, mas por... Portugal.


Ao todo foram seis os futebolistas portugueses que representaram o PAOK: Vieirinha, atual capitão de equipa, Miguel Vítor, Daniel Fernandes, Sérgio Conceição, Ricardo Costa e Edinho.

"Talvez seja o estádio mais difícil de jogar na Grécia, porque tem um público muito forte que incentiva ainda mais do que o público do Olympiacos", disse Fernando Santos em 2013.


Se lhe dissermos que o Estádio Toumba é o mais frenético da Grécia é apenas uma frase, mas se for dito por alguém que sabe do que fala as coisas mudam de figura. "Talvez seja o estádio mais difícil de jogar na Grécia, porque tem um público muito forte que incentiva ainda mais do que o público do Olympiacos", disse Fernando Santos em 2013 antes de o Benfica defrontar... o PAOK numa eliminatória da Liga Europa.


Os anos passaram mas a dimensão dos clubes não é comparável, e isso vê-se até na avaliação feita aos plantéis; o do PAOK não passa dos 54,5 milhões de euros, enquanto o plantel encarnado está orçado em 231,50 milhões de euros.

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