O harakiri do ministro

A edição do DN de 16 de agosto de 1945 dava conta do suicídio do ministro da Guerra japonês, inconformado com a rendição frente aos Estados Unidos.

"Fez harakiri o ministro da Guerra japonês", noticiava o DN de 16 de agosto de 1945, datado de um dia depois do imperador Hirohito ter anunciado na rádio a rendição incondicional aos Estados Unidos, ponto final da Segunda Guerra Mundial. Korechika Anami, general de 58 anos, assinara a rendição, tal como os restantes membros do governo, depois das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui, mas considerou uma humilhação a decisão e adotou a tradicional forma de suicídio dos samurais caídos em desonra. Não foi um caso isolado, pois o DN acrescentava também na primeira página que "em Tóquio e nas frentes de batalha aumenta a vaga de suicídios.

Anami considerava que os japoneses deveriam resistir até ao fim, lutando no arquipélago contra os invasores de modo a causar-lhes tantas baixas que desistissem de dominar o país. Na mensagem que enviou às tropas antes do harakiri escreveu: "Oficiais e soldados japoneses! O Japão perdeu a guerra, mas posso afirmar-vos que é apenas temporariamente. Não levará muitos anos que o Japão derrote os vencedores de hoje. Para isso é necessário que o povo japonês sofra com resignação e calma e trabalhe mais do que nunca. A vitória do Japão chegará um dia".

A ocupação americana foi benévola, preservando o imperador, e os dois inimigos tornaram-se sólidos aliados, como democracias. O trabalho árduo dos japoneses permitiu ainda a recuperação do país, hoje terceira economia mundial.

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