De Vhils a Wasted Rita: a pandemia vista por mais de 30 artistas

Right Now é a exposição online que inaugura nesta sexta-feira no site da galeria Underdogs.

Um rosto quebrado por uma máscara. A impossível proximidade de um beijo. A difícil passagem do tempo. O distanciamento. A casa como espaço seguro ou como prisão. A natureza que floresce lá fora. No momento em que vivemos uma pandemia e que em quase todos os países nos encontramos confinados, fechados em casa, o que é que os artistas veem e pensam, o que é que estão a criar, o que é que nos querem mostrar?

É um pouco disso que está em Right Now, a exposição online que inaugura nesta sexta-feira no site da galeria Underdogs. "Esta exposição é a resposta a uma pergunta simples que a Underdogs fez aos artistas com quem tem trabalhado ao longo dos anos na galeria: produzir obras que falassem da sua realidade e circunstâncias presentes, onde quer que estivessem durante estes tempos incertos - obras criadas com quaisquer materiais que tivessem à mão enquanto afastados das suas zonas de conforto habituais."

"Neste período estranho, fomos mantendo o contacto com os artistas e pensámos que seria importante mostrar as obras que são fruto deste momento", explica ao DN Pauline Foessel, a curadora da galeria responsável pela exposição. "Alguns artistas estão muito habituados a trabalhar em casa ou no seu estúdio e não sentiram tanta diferença assim, mas há outros que fazem muitas viagens e para quem este movimento e este contacto fazem parte da criação", diz.

Right Now significa "agora". Ou seja, o presente. "Não podemos parar", diz Pauline Foessel. "Temos de continuar a trabalhar. Os artistas continuam a criar e nós continuamos a acompanhar o seu trabalho. Existe esta vontade de nos mantermos ativos e ligados. E queremos guardar memória deste momento porque achamos que é importante." A exposição reúne mais de 30 obras de artistas como Aka Corleone, André da Loba, Vhils, Maria Imaginário, Pedrita Studio, Okuda San Miguel, Wasted Rita, André Saraiva, Bráulio Amado, Francisco Vidal e muitos outros.

Sem poder sair de casa, os artistas tiveram de usar apenas os materiais que já tinham consigo e alguns deles tiveram também de usar técnicas mais simples do que aquelas que é habitual no seu trabalho. Esse é o caso de Vhils, por exemplo, que nos apresenta desenhos. "Ele gosta muito de desenhar, mas já há muito tempo que não disponibilizava os seus desenhos, usa-os geralmente como base para outros trabalhos", explica Pauline Foessel.

Também é curiosos ver que nem todas as obras estão diretamente relacionadas com a quarentena ou com a epidemia. E há casos em que essa relação não é tão óbvia - como por exemplo no trabalho de Teresa Esgaio, que nos fala da passagem do tempo.

"Os artistas são, antes de mais, pessoas. Têm necessidades e desejos, virtudes e defeitos como todos os outros. No entanto, seja de forma consciente ou inconsciente, direta ou indiretamente, os artistas também registam os tempos em que vivem. Refletem sobre, reagem a e trabalham com aquilo que os rodeia", lê-se no folheto da exposição.

A exposição será inaugurada na sexta-feira e estará patente online até 13 de junho no site da Underdogs. Todas as obras estão disponíveis para venda. "Estas obras nunca serão expostas na nossa galeria, irão passar diretamente da casa ou do estúdio do artista para a posse do comprador", explica Pauline Foessel. Algo que, afinal, não é raro do mercado da arte: "Atualmente, já muitos colecionadores compram através do catálogo online, por isso não é uma novidade."

A ArtStore Underdogs (que é um corner no espaço da galeria em Lisboa) reabre a 1 de junho, mas a galeria só reabre no dia 3 de julho, com uma nova exposição.

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