Premium O engenheiro e o físico que são a face da nova vaga anticiência nos Estados Unidos

Baralhar e voltar a dar. Um físico de 79 anos que compara a demonização do dióxido de carbono à que os nazis fizeram dos judeus e um ex-astronauta e engenheiro de petróleo simbolizam a América contra as alterações climáticas.

Quando Donald Trump consumou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, em junho de 2017, mostrou ao que vinha em relação às alterações climáticas. Descartando a intenção de reduzir as emissões de gases com efeito estufa que o documento aprovado em dezembro de 2016 na capital francesa preconiza, o presidente tratou de negar a ciência climática e a turbulência no clima que os modelos estimam para as próximas décadas a nível global, e fez até questão, em vários momentos, de escarnecer do problema. Foi o que fez, por exemplo, no inverno passado, quando uma temível vaga de frio assolou durante dias a maior parte do território do país. "Está um gelo lá fora, onde raio está o aquecimento global? Por favor, volta depressa, precisamos de ti!", escreveu Trump no Twitter, a 28 de janeiro.

Este poderia ser apenas mais um dos seus muitos episódios pitorescos, mas os tweets presidenciais de Trump são sobretudo a face anedótica de uma realidade mais complexa e inquietante naquele país, que insiste no modelo energético dos combustíveis fósseis, e mantém os níveis de emissões de gases com efeito estufa em alta - não foi por acaso que 2018 registou um novo recorde de emissões globais de CO2, ao arrepio de todos os alertas dos cientistas e de todas as promessas e declarações de intenções dos decisores políticos.

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