Premium Hells Angels e a ligação ao mundo da segurança privada

A empresa que lidera cerca de 70% da segurança dos locais de diversão noturna em Lisboa e no Algarve tem elementos dos Hells Angels ao seu serviço

A supremacia e agressividade dos Hells Angels, que coagiam os grupos mais pacíficos de motards, estava a tornar-se asfixiante mesmo para os organizadores da concentração de Faro, a mais emblemática do país e muito popular em toda a Europa. O presidente do Motoclube de Faro, José Amaro há anos que tentava travar essa supremacia, e chegou a ser também agredido.

Uma das maiores pressões tinha a ver com a segurança privada do evento. Segundo fontes policiais, os Hells Angels e os seus grupos satélites aproveitam estes dias para estabelecer e reforçar alianças para desenvolver as suas atividades ilícitas, designadamente tráfico de droga e de armas, mas também todo o negócio das lojas relacionadas com os motards, desde emblemas, vestuário e tatuagens.

Apesar de terem um espaço próprio, fora do recinto principal, para fazer reuniões, a presença de uma empresa de segurança habitualmente contratada pelo Motoclube de Faro, não lhes era conveniente. Nos últimos meses tinha aumentado a pressão para que esta fosse substituída por outra, que as polícias têm identificada como tendo uma forte ligação ao grupo.

Esta empresa tem-se destacado na segurança de locais de diversão noturna no Algarve, Lisboa e Cascais, onde dominam cerca de 70% do mercado, protegendo negócios ilícitos. As conhecidas discotecas Bliss em Vilamoura e o Blanco, em Portimão são exemplo. Em Lisboa têm boa parte da rua cor de rosa, no Cais do Sodré, o Hawai e o Havana, nas Docas, mais o Bolero, o Main e o Lust in Rio, entre outros estabelecimentos.

Tinham também o Barrio Latino, quando um dos seus seguranças foi morto no parque de estacionamento, em dezembro de 2017.

Na operação da PJ foram detidos elementos de empresas de segurança privada, segundo confirmou a coordenadora da PJ, Manuela Santos. Não adiantou, no entanto, de que empresa se tratava.

Fonte da PJ, envolvida na investigação, confirmou, porém, que um dos Hells Angels detidos, é um dos seguranças do Urban Beach que agrediu violentamente dois homens, em novembro do ano passado. A empresa de segurança era, na altura a PSG, mas não é a mesma que as autoridades têm como "casa" dos Hells Angels.

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