Premium Abel Prieto: "Trump é como um elefante numa loja de porcelanas"

Entrevista ao ex-ministro da Cultura de Cuba e atual presidente da Sociedade Cultural José Martí.

Abel Prieto foi ministro da Cultura com o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, com o seu irmão e sucessor Raúl Castro (de quem foi assessor) e do novo presidente, Miguel Díaz-Canel. Esteve em Portugal para a Festa do Avante! e falou ao DN da situação em Cuba, dos EUA e da Venezuela. Preside à Sociedade Cultural José Martí.

Foi ministro nos anos 1990, no final do período especial, de crise económica após a queda da União Soviética.Cuba conseguiu voltar a crescer com o apoio da Venezuela, cuja crise agora afeta Cuba. Estamos a caminho de um novo período especial?
Acho que não, nunca como aquele período especial. Cuba tem hoje uma economia mais diversificada. No momento em que se derrubou o campo socialista na Europa e a União Soviética, o nosso comércio era maioritariamente com esse bloco de países. Hoje estamos mais bem preparados do ponto de vista empresarial, da institucionalidade. Hoje, o mais grave para nós, independentemente da perseguição a que está submetida a Venezuela pelos ianques, é o agravar do bloqueio dos EUA. Até [Donald] Trump, nenhum presidente tinha ativado o capítulo três da Lei Helms-Burton, que diz que se tinhas uma propriedade em Cuba e ela foi nacionalizada pela revolução, de maneira legal, agora podes pôr em tribunal qualquer empresa que esteja a fazer negócios com essa propriedade que foi tua. Muitos empresários que viveram o processo das nacionalizações aceitaram as ofertas de indemnizações e foram indemnizados. Os EUA nunca aceitaram negociar com Cuba, porque sempre pensaram que iriam conseguir recuperar as propriedades pela força. Esta lei é absolutamente irracional, extraterritorial, rompe todas as normas jurídicas e de convivência entre países. O mundo tem de explicar a Trump que não pode atuar como se fosse dono do mundo.

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