Taça da Liga: o troféu que falta ao FC Porto e que já deu muita polémica

Fase de grupos arranca nesta sexta-feira. Dragões nunca venceram a prova, que em 11 edições já teve de tudo: um jogador que atirou a medalha ao chão, desempates por idades, protestos por jogos que não começaram à mesma hora e um campeão surpreendente.

A fase de grupos da Taça da Liga arranca nesta sexta-feira, já no molde de quatro agrupamentos de onde vão sair as quatro equipas apuradas para a final four (os primeiros classificados), que à semelhança da época passada se disputa em Braga, em janeiro (de 22 a 26).

O primeiro jogo é já nesta sexta-feira à noite, com a receção do FC Porto ao Desportivo de Chaves. O Benfica entra em ação no sábado, na Luz, diante do Rio Ave, e o Sporting recebe o Marítimo no domingo, naquele que será o primeiro jogo do clube leonino já com o presidente Frederico Varandas em funções.

A competição cuja primeira edição se disputou na temporada 2007-08, e que teve vários formatos, já conheceu cinco vencedores: Benfica (sete vezes), Sporting (1), Sp. Braga (1), V. Setúbal (1) e Moreirense (1). Mas é uma pedra no sapato do FC Porto, que continua sem ter qualquer Taça da Liga nas prateleiras do museu.

Este é, aliás, o único troféu interno que os dragões nunca venceram, apesar de terem disputado duas finais: em 2010 perderam com o Benfica e em 2013 com o Sporting de Braga. Mais do que isso: o FC Porto chegou a estar 1053 dias (um total de oito jogos) sem conseguir vencer um jogo nesta competição, uma malapata quebrada na época passada na receção ao Leixões, com um triunfo por 3-0.

O pior registo dos dragões foi na edição de 2015-16, quando caíram logo na fase de grupos com três derrotas nos três jogos disputados: em casa com o Marítimo (1-3) e fora com o Famalicão (1-0) e o Feirense (2-0) - com a curiosidade de cada derrota ter sido com um treinador diferente, Julen Lopetegui, Rui Barros e José Peseiro, por esta ordem.

Aliás, a malapata do FC Porto nesta competição vem logo desde a estreia, em setembro de 2007, quando foram logo eliminados no primeiro jogo (na altura a prova tinha um formato diferente) diante do Fátima, que era treinado por... Rui Vitória - o clube dos escalões secundários venceu os dragões no desempate por penáltis, após o 0-0 no final do tempo regulamentar.

A verdade é que esta competição foi diversas vezes desvalorizada por Pinto da Costa, presidente do FC Porto. Em março de 2012, após uma derrota por 3-2 com o Benfica, o líder portista chegou a dizer "desta Taça da Liga já estamos livres... na Taça da Liga, o Benfica prova que é melhor do que o FC Porto há quatro anos".

A Taça da Liga, que nasceu numa reunião do organismo que tutela o futebol português em novembro de 2006, por proposta do Sporting e do Boavista, esteve várias vezes condenada, sobretudo nos anos em que não teve nenhum patrocinador. Mas com a criação do formato final four, na temporada 2016-17, que foi aprovado pelos clubes numa assembleia extraordinária da Liga, ganhou uma nova projeção.

"A Liga Portugal há três anos apostou fortemente nesta competição. Regenerou-a e deu-lhe um novo conceito. Temos hoje uma prova em que todos querem participar e que todos querem ganhar", considerou Pedro Proença, em agosto, durante o sorteio da terceira fase, recordando que quando chegou ao organismo, em 2015, não havia sequer data para a realização da final.

A edição do ano passado ficou marcada pelo triunfo do Moreirense (1-0), após uma final inédita com o Sporting de Braga. Foi o primeiro troféu de sempre da história do emblema de Moreira de Cónegos, que na altura era treinado por Augusto Inácio.

Confira aqui o calendário de jogos

11 edições, muitas polémicas

As 11 edições da prova que já teve a denominação de Carlsberg Cup, Taça CTT e agora Allianz Cup ficaram marcadas por vários episódios. Recorde aqui alguns.

Porventura o mais marcante aconteceu na edição de 2008-09, quando o brasileiro Pedro Silva, jogador do Sporting, atirou para o relvado a medalha correspondente a finalista vencido, em protesto contra o árbitro Lucílio Baptista, que assinalou uma grande penalidade que permitiu ao Benfica empatar (1-1) o jogo e levar a decisão para as grandes penalidades (as águias acabariam por vencer). "Para que quero a medalha? Deem-na a ele [árbitro], a esse ladrão. Isto é uma brincadeira. Não foi penálti. Que o meu filho morra se foi penálti", atirou o defesa.

Nesta mesma temporada, mas num jogo anterior, um episódio envolvendo o FC Porto trouxe de novo à ordem do dia a importância dada à Taça da Liga. Antes de um jogo contra o Sporting, em Alvalade, nas meias-finais da competição, o plantel dos dragões viajou para a capital de comboio e no próprio dia do jogo, deixando vários jogadores importantes de fora (chegou a convocar Sérgio Oliveira, na altura juvenil do clube), numa decisão que foi interpretada na altura como desprezo pela prova. Resultado: o Sporting venceu por 4-1.

Ainda na mesma edição, deu-se o primeiro caso relacionado com os regulamentos da prova e com a média de idades. Portimonense, Académica e Beira-Mar ficaram em igualdade pontual no grupo, todos com dois pontos e sem golos marcados e sofridos. O regulamento determinava que o vencedor fosse o clube que tivesse utilizado o conjunto de jogadores com média de idades mais baixa. O Portimonense-Académica da última jornada continuava 0-0 quando Litos, treinador dos algarvios, colocou o guarda-redes Sapateiro, na altura com 19 anos, no lugar de Pedro Silva, que estava na baliza e era 16 anos mais velho. A substituição permitiu baixar a média de idades para 24,556, contra 24,682 da Académica e 25,474 do Beira-Mar.

No final do jogo, o Portimonense fez a festa convencido da qualificação, mas a Académica, treinada por André Villas-Boas, protestou, contestando o critério da média de idades e considerando que os regulamentos não esclareciam a fórmula a utilizar nem a razão de o Portimonense vencer o grupo, defendendo que a média de idades devia ser calculada jogo a jogo. Os estudantes apresentaram recurso e foi-lhes dada razão pelo Conselho de Justiça e, por isso, seguiram em frente.

Na edição de 2012-13, nova bronca e também relacionada com os regulamentos, com o V. Setúbal a protestar um jogo contra o FC Porto, realizado a 9 de janeiro de 2013, por os dragões terem utilizado Fabiano, Abdoulaye e Sebá, que menos de 72 horas antes haviam jogado pela equipa B portista, algo irregular à luz dos regulamentos e que até tinha resultado na perda de pontos do Sporting de Braga B, por questão semelhante que envolveu o seu jogador Emídio Rafael. No entanto, o FC Porto, que tinha ganho por 1-0 (golo de João Moutinho de penálti), alegou em sua defesa que os regulamentos eram apenas referentes a jogos das I e II Ligas e não da Taça da Liga e foi-lhe dada razão pelo Conselho de Disciplina, decisão ratificada pelo Conselho de Justiça.

Mas existiram mais polémicas. Em 2013-14, à entrada para a última ronda da fase de grupos, Sporting e FC Porto discutiam o apuramento para as meias-finais em igualdade pontual e, caso ambos vencessem, os leões só se classificariam se conseguissem uma diferença em relação aos portistas de pelo menos dois golos. O clube de Alvalade venceu o Penafiel por 3-1, enquanto o FC Porto estava igualado a dois golos com o Marítimo com a partida já nos descontos. Mas ao 90'+4, Josué deu o triunfo aos dragões, de penálti, que deu o apuramento aos dragões. Problema? O Sporting insurgiu-se contra o facto de o FC Porto-Marítimo ter começado dois minutos e 43 segundos depois do Penafiel-Sporting. Bruno de Carvalho ainda recorreu, mas não foi dada razão ao Sporting.

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