Português quer presidir à Assembleia Parlamentar da NATO

Miranda Calha (PS) vai enfrentar dois rivais nas eleições que decorrem em novembro em Halifax, no Canadá.

O deputado socialista Miranda Calha é candidato à presidência da Assembleia Parlamentar da NATO (APNATO), tendo como adversários uma inglesa e um estónio nas eleições que se realizam no próximo mês de novembro.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira ao DN pelo próprio Miranda Calha, membro da delegação portuguesa à APNATO, que inclui outros seis deputados: Carlos Costa Neves, José Matos Correia e Bruno Vitorino (do PSD), Vitalino Canas - atual vice-presidente da organização - e Lara Martinho (ambos do PS) e ainda João Rebelo (CDS).

A eleição irá ocorrer durante a sessão anual da APNATO, que se realiza entre 16 e 19 de novembro deste ano, na cidade canadiana de Halifax. Cabe ao grupo socialista escolher o presidente da organização parlamentar da Aliança para o biénio 2019-20, o qual será depois aclamado pelos restantes grupos na sessão plenária.

A APNATO foi criada em 1955 e funciona como um elo de ligação entre a Aliança Atlântica e os parlamentos dos países aliados. Embora institucionalmente separada da NATO, a APNATO "facilita a sensibilização parlamentar e a compreensão das questões-chave que afetam a segurança da área euro-atlântica", assim como "apoia a supervisão parlamentar nacional da defesa e segurança e ajuda a fortalecer o relacionamento transatlântico", lê-se na página online da organização.

A presidência da APNATO é exercida em regime de rotatividade e a cada dois anos pelos grupos conservador, socialista e dos EUA. Em dezembro termina o mandato dos conservadores - que substituem neste mês o ainda presidente, Paulo Alli (Itália), pela vice-presidente Rasa Jukneviciene (Lituânia).

Isso decorre da não eleição de Paulo Alli para o Parlamento italiano em março deste ano, estando assim obrigado a cessar funções ao fim de seis meses e sendo substituído pelo vice-presidente da mesma área política.

Primeiro eleito, segundo no cargo

Caso vença os rivais dentro do grupo socialista, numa disputa que reconheceu ao DN ser difícil, Miranda Calha tornar-se-á o primeiro português a ser eleito para a presidência da organização parlamentar da Aliança.

Calha será, contudo, o segundo a ocupar o cargo, uma vez que o também socialista José Lello exerceu aquelas funções em 2007 mas em substituição do então presidente Bert Konders (holandês, nomeado para o governo de Haia) - uma situação semelhante à que vai ocorrer agora e até ao fim do ano.

Miranda Calha, que há seis anos perdeu a corrida para o candidato inglês, é apoiado pelos países do sul da Europa e, embora sem poder de voto, por todos os membros portugueses da APNATO, afirmou ao DN o deputado centrista João Rebelo.

Rebelo, que preside ao subcomité responsável pelas capacidades futuras de segurança e defesa da NATO, disse ser normal haver surpresas "de última hora" nesta eleição e que, por isso, nenhum dos candidatos pode antecipar a vitória.

O facto de ser a vice-presidente letã a presidir à APNATO nos últimos meses deste ano, por outro lado, representa uma possível vantagem de Mirada Calha sobre a adversária inglesa - que perde o argumento de poder ser a primeira mulher a liderar a organização, observou ainda João Rebelo.

Acresce o facto de o anterior presidente socialista da APNATO ter sido também um inglês.

Miranda Calha, por sua vez, admitiu que o quase desaparecimento dos socialistas franceses e a redução significativa dos italianos na APNATO - em consequência dos resultados das últimas eleições legislativas em França e Itália - pode dificultar o peso dos seus apoios.

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.