Premium O trabalho dá que pensar. No Jardim Botânico Tropical vão procurar-se respostas

Durante três dias o encontro anual da Fundação Francisco Manuel dos Santos vai lançar a discussão sobre o que é o trabalho, a sua evolução e os seus desafios. Cientistas, economistas, artistas e jornalistas vão dar as suas opiniões.

Os cinco hectares do Jardim Botânico Tropical de Lisboa recebem até domingo um festival de verão diferente: nos três palcos que ali nasceram em vez de música vai ouvir-se falar de trabalho e das suas transformações ao longo dos anos.

O Trabalho Dá Que Pensar é o mote do encontro anual promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Iniciativa que começa na noite desta sexta-feira, com uma intervenção de Jaime Gama (presidente do conselho de administração e da comissão executiva da Fundação Francisco Manuel dos Santos) e acabará na noite de domingo. Durante estes dias, pelos palcos erguidos nos relvados do jardim onde a flora tropical reina, especialistas nacionais e internacionais vão falar sobre o trabalho, em várias áreas, e a forma como mudou, muda e pode mudar as nossas vidas.

Serão três dias em que cada um procurará respostas para outras tantas perguntas: nesta sexta-feira será "Nós transformamos o trabalho?", no sábado "Eu crio trabalho?" e no domingo, "Amanhã como se vive o trabalho?".

Além das conferências que passarão pelos palcos, os visitantes vão ter à disposição um programa que inclui dois documentários - Os Dias Contados, de Ana Sofia Fonseca, e Fora da Vida, de Filipa Reis e João Miller Guerra -, poderão apreciar uma exposição, assistir a uma peça de teatro, ouvir Ana Moura, Frankie Chavez, Paulo de Carvalho e Tiago Bettencourt (neste sábado a partir das 22.50, num concerto com o título Cabo dos Trabalhos) e o The Whoop Group (domingo às 19.20). E até o programa da TVI Governo Sombra marcará presença. Será na noite desta sexta-feira a partir das 24.00 e o tema da apresentação será o "trabalho por turnos".

Para ajudar a pensar o trabalho, as transformações sociais, culturais e económicas que estão a mudar a forma com todos nos relacionamos com ele, vão passar por Lisboa alguns dos melhores economistas, cientistas, artistas ou pessoas ligadas às artes.

Para dar respostas, ou pelo menos para lançar explicações, vão estar no palco principal Jimmy Wales (cofundador da Wikipédia), os economistas David Autor, Juan Dolado, Jean Pisani-Ferry, Martha Bailey, Sérgio Rebelo e Luis Garicano (conselheiro de economia do Ciudadanos, em Espanha). Estarão ainda os especialistas em inteligência artificial Arlindo Oliveira e Norberto Pires; o biólogo Jared Diamond (que escreveu o livro Guns, Germs and Steel, com o qual venceu o Prémio Pulitzer 1998), além da atriz Ana Padrão, o artista Leonel Moura (embaixador Europeu da Criatividade) e Pedro Gadanho (diretor do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, de Lisboa).

Em junho, David Lopes, diretor executivo da fundação e presidente da comissão executiva do encontro O Trabalho Dá Que Pensar, explicou o título da conferência da seguinte forma: "Estávamos a falar sobre o que o trabalho dá e lembramos que dá, por exemplo, dinheiro, arrelias, e chegámos ao fim do círculo - dá que pensar."

E o que se pensará nestes dias? Segundo a organização, os temas andarão à volta da importância do trabalho e das modificações que vai sofrendo. E da tentativa de encontrar respostas para perguntas como: em que medida é que o trabalho, como o conhecemos, tem uma data de validade? Quais as principais transformações sociais, económicas e culturais que estão a mudar o mundo do trabalho? Como garantir que há uma transferência de experiência e de conhecimento intergeracional no mercado do trabalho? Quais as implicações da uberização do trabalho?

Entre as ideias lançadas para a discussão estão dúvidas como que profissões podem estar em risco de desaparecer, quantos empregos serão extintos, que influência terá a automação na repartição de rendimentos ou como contrariar a discriminação no mercado de trabalho.

Todas estas questões serão debatidas nos três palcos - o espaço junto do principal tem capacidade para 1400 pessoas -, mas até chegarem a esses recintos os visitantes percorrem a Alameda do Trabalho, onde vão acompanhar - numa linha do tempo - toda a evolução do direito laboral, estatísticas, questões do género, evolução dos salários e alguns conteúdos interativos. Haverá ainda uma street food.

Está também prevista a interação de alguns convidados com os visitantes numa zona onde durante um determinado período podem trocar ideias e teses sobre o trabalho. Passado esse tempo os visitantes mudam de mesa e de interlocutor.

A lotação está esgotada, mas a fundação vai transmitir o evento no seu site.

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