Premium Salaviza: "Vamos ter uma relação com os krahô para o resto da vida. Haja ou não filmes"

João Salaviza e Renée Nader Messora criaram uma relação com indígenas do Brasil que vai além do cinema. O filme de ambos, Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, premiado pelo júri em Cannes, chega hoje às salas.

"A gente tinha levado um gerador pequenino de gasolina e projetava filmes. Eu tinha feito uma seleção de Chaplin e Buster Keaton. A molecada pirou. Eles ficaram malucos. [Os filmes] Eram projetados num lençol, à noite." Foi há cerca de dez anos que a realizadora Renée Nader Messora chegou pela primeira vez a uma aldeia krahô, povo indígena do Brasil.

Foi nesse momento, recorda, que pensou que haveria de voltar e trabalhar no campo audiovisual com aquelas pessoas. Estava, contudo, longe de imaginar que haveria de ganhar ali um novo nome, que, depois de várias visitas, voltaria mais tarde já não sozinha mas com João Salaviza, com quem ali dirigiu e filmou Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, e que ambos voltariam ainda mais tarde com a sua filha, Mira, de pouco mais de um ano, que, enquanto conversamos, passeia-se e brinca ali à volta. Os dois ponderam viver um período das suas vidas na aldeia onde tudo isto aconteceu, a aldeia krahô de Pedra Branca, em Tocantins, estado do interior do Brasil. Mira poderia estudar "um ou dois anos na escola indígena. Na verdade, é um privilégio ser criança numa aldeia indígena", diz Renée.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.