Premium "A motivação para os médicos também tem de ser remuneratória"

Júlio Leite faz 70 anos. É professor catedrático e diretor de serviço de cirurgia do Centro Hospitalar dos Hospitais Universitários de Coimbra. Foi ali que se formou e sempre trabalhou. Depois de dar a sua última aula, jubilando-se. Fala ao DN da "obsessão" que tem pela cirurgia há 45 anos.

Um dia depois de dar a sua última aula operou um doente com 91 anos. "Foi um caso muito interessante. Há uns anos não se fazia. Hoje, a medicina evoluiu e vale a pena operar um doente com esta idade", diz satisfeito. Médico desde 1973 em Coimbra, foi ali que se formou e ficou, apesar de ter nascido em Guimarães, professor catedrático, diretor do serviço de cirurgia do Centro Hospitalar dos Hospitais Universitários (CHUC) de Coimbra, Júlio Leite é considerado um dos grandes especialistas e cirurgiões para as doenças colorretais e pioneiro no tratamento inovador para algumas doenças, como a incontinência fecal. E conta ao DN como a cirurgia mudoua sua vida, como a família acabou por aceitar esta sua obsessão pela cirurgia geral. A minha vida foi sempre o gostar de trabalhar, o querer fazer e fazer sempre melhor. Gostei sempre de estar perante a dificuldade do diagnóstico, de resolver as situações, de ajudar os mais novos...", confessa. Habituou-se a dormir três a quatro horas por noite ou a ir trabalhar logo a seguir a um turno de urgência. "Os cirurgiões não têm grande necessidade de dormir. Habituam-se. Há cirurgias que levam muitas horas", explica. E, apesar de completar 70 anos em agosto e de os médicos poderem deixar de fazer urgência aos 60, ele fez sempre. Faltam-lhe dois turnos de urgência até deixar o serviço de cirurgia, no piso 2 do Universitário de Coimbra, a 15 de agosto. Mas antes de sair disse aos colegas e alunos e a quem administra as unidades: "É preciso olhar para a cirurgia geral com a perspetiva de que é a especialidade capaz de reconstruir um doente" e "a motivação para os médicos não é só ideológica, tem de ser também remuneratória".

Formou-se em 1973, doutorou-se. Teve 45 anos de vida hospitalar e universitária. Que mensagem deixou aos colegas e alunos?

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