Porto e Douro querem balcão único para os vinhos

Estudo estratégico do setor é amanhã apresentado na Régua. Produção e comércio aprovam, mas consideram que fica "aquém" das necessidades.

São 11 medidas distintas para reforçar a competitividade do setor vitivinícola duriense, como a criação de uma plataforma logística no Douro e a implementação de um sistema de balcão único para simplificar o relacionamento dos agentes económicos com o Estado.

O estudo "Rumo estratégico para o setor dos vinhos do Porto e do Douro", da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é apresentado nesta sexta-feira no Museu do Douro, na Régua, na presença do ministro da Agricultura, e preconiza mais e melhor promoção, coordenação dos vários atores, inovação e rejuvenescimento.

O trabalho foi encomendado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e visa "reforçar a competitividade" do setor, tanto a nível nacional como internacional. Manuel Cabral, presidente do IVDP, diz que o instituto "pretende munir o setor de conhecimento estruturado capaz de indicar onde estamos e questionar onde queremos estar".

António Lencastre, presidente da Casa do Douro - Federação Renovação do Douro, aplaude a iniciativa, resultado do "esforço da própria região" e encomendado a um dos seus "protagonistas". Sobre o estudo em si, admite que é uma "primeira etapa", mas que não responde ao "problema fundamental" do Douro: a dispersão da propriedade e o envelhecimento da população. "O início da fileira tem de ser revisitado. 80% dos proprietários no Douro têm menos de dois hectares e distribuídos por cinco parcelas. É preciso encontrar formas de promover o rejuvenescimento e o emparcelamento", defende.

Também a Associação das Empresas de Vinho do Porto elogia mais uma "reflexão e análise", mas considera que o resultado final está "relativamente desfocado dos verdadeiros problemas do setor". Em causa está, por exemplo, o facto de o estudo identificar a necessidade de rejuvenescimento da imagem do vinho do Porto, sem dar pistas sobre como tal se deve fazer. Isabel Marrana aponta, ainda, o facto de uma das principais reivindicações do comércio, o problema dos saldos cativos no IVDP que provêm de taxas e deviam ser empregues no setor e na região, não estar contemplada no atual estudo. Em causa estão cativações de oito milhões.

Propostas:

Balcão Único

Inovar, simplificar, desmaterializar é o obejtivo. A ideia é concertrar o relacionamento dos agentes com o Estado num único interlocutor, o IVDP.

Plataforma logística

Diminuir as barreiras económicas e logísticas na exportação a partir do Douro, concentrando num único espaço os serviços de armazenagem final, de logística, transporte, despachante oficial e de serviços aduaneiros.

Regulação competitiva

O tema mais difícil de entre as 11 medidas, já que implica promover um equilíbrio entre as denominações Porto e Douro, produzidas a partir das mesmas uvas, mas que são valorizadas de forma completamente distinta. A redução da área de vinha, através de saídas voluntárias, é uma hipóteses equacionada, mas, no essencial, o estudo defende a necessidade de fazer mais estudos.

Promoção

Implementar um sistema inteligente de mercado para uso das empresas e organizações ligadas à promoção dos vinhos é uma das medidas preconizadas neste âmbito, bem como o reforço da promoção coletiva em mercados prioritários, como os EUA e o Canadá, e a melhoria da comunicação online aos consumidores e mercados.

Redução do stock mínimo

É uma das medidas já consensualizadas no setor, no âmbito do Conselho Interprofissional do IVDP, onde estão equitativamente representados o comércio e a produção. É uma forma de permitir a entrada de novos operadores.

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