Assalto ao casino

"Assaltantes jogam e perdem no casino". Era assim que o DN titulava um artigo sobre uma tentativa de roubo no Casino Estoril, neste dia 13 de setembro de 1977.

"Dois indivíduos armados e embuçados assaltaram na madrugada de ontem, pouco depois das cinco horas, o Casino Estoril, tendo dominado o tesoureiro e tentado fugir com mais de 6 mil contos" (o equivalente a uns atuais 500 mil euros), contava então o DN, explicando que o roubo acabara por ser impedido apenas pelo facto de os assaltantes terem feito demasiado barulho, chamando a atenção dos polícias que andavam pelas redondezas.

O relato do jornal sobre o crime pouco habitual era entusiasmado e pormenorizado. "Um dos assaltantes foi preso e o dinheiro recuperado, enquanto o outro se punha em fuga num táxi que passava na Marginal e cujo condutor foi dominado pela arma, uma pistola-metralhadora Uzi de 9 mm." Depois de disparar sobre um dos polícias, o ladrão teria forçado o taxista e o cliente que levava a sair do carro e escapara-se. O carro viria a ser encontrado abandonado em Odivelas.

Quanto ao seu parceiro, foi apanhado escondido nos arbustos do jardim, tendo então tentado convencer os polícias de "ter adormecido ali por haver perdido o comboio". Desconfiados, os agentes decidiram investigar a cena e encontraram assim "um saco preto repleto de maços de notas, além de uma pasta igualmente cheia de dinheiro e ainda um revólver calibre 32, um fato-macaco, um capuz de seda preta com aberturas para os olhos, dois pares de luvas pretas e dois sacos de plástico".

Confirmado pelo tesoureiro - depois de desamarrado e desamordaçado - que haviam sido dois os seus atacantes, a esquadra do Estoril devolveu o dinheiro ao casino. O crime continuou a ser investigado, tendo sido entretanto descoberto que os criminosos eram jogadores habituais que haviam sido proibidos de entrar no casino durante alguns meses.

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Rosália Amorim

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Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.