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PCP agora e há quatro anos. As lutas que não mudaram apesar da geringonça

Jerónimo de Sousa antecipou as principais linhas de orientação para o programa eleitoral das eleições legislativas de 2019. Olhando para 2015, há bandeiras que não se perdem - e praticamente não se alteram. Uma viagem comparada pelos dois programas.

Não há particulares surpresas no embrião de programa eleitoral do PCP apresentado nesta quarta-feira por Jerónimo de Sousa. Se comparado com as 85 páginas do programa de 2015, estas linhas de orientação para 2019 sublinham, a abrir, aquilo que em 2015 não se antecipava: a ação do PCP durante estes três anos e meio de legislatura que obrigou, segundo secretário-geral comunista, a "uma perspetiva de desenvolvimento diferente da que tem sido imposta pela política de direita nas últimas décadas".

Sim, leu bem: para o PCP, o PS ainda é responsável por impor uma "política de direita", com a qual, na ótica dos comunistas, é preciso romper. "A política de direita do PS, do PSD e do CDS ao longo de décadas vulnerabilizou o país e a sua capacidade produtiva, acentuou desigualdades e agravou a sua dependência", disse Jerónimo de Sousa. Tal como em 2015: "As opções e a ação de sucessivos governos do PS, do PSD e do CDS marcam de forma dramática a vida dos portugueses."

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Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

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Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.