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Hells Angels

Nem polícias escaparam à violência dos Anjos do Inferno

Uma investigação sem precedentes em todo o mundo pode ter dizimado o núcleo português dos motards mais perigosos da história.

"É uma questão de liberdade. A Polícia Judiciária (PJ) nunca permitirá que a liberdade não seja um acento tónico em qualquer ponto do território nacional." O alcance destas palavras do diretor nacional da PJ, Luís Neves, foi verdadeiramente compreendido nesta semana, quando o Ministério Público (MP) deduziu acusação contra 89 membros dos Hells Angels, considerados uma organização criminosa violenta, que tentou matar, ameaçou, roubou, traficou droga e usou armas de fogo proibidas.

Luís Neves falava há um ano, no dia em que, numa megaoperação da PJ, tinham sido detidos mais de meia centena de motards dos Anjos do Inferno - a primeira "machadada" na organização, como reconheceu a Judiciária. Explicou na altura que os Hells Angels estavam a adquirir, pela violência, supremacia entre os grupos motards e "coagindo-os" a criar "um clima de terror e medo". Nesse sentido, "foi restituída a liberdade a todos os grupos que se estavam a sentir condicionados para que possam continuar a participar livremente e sem medos os seus convívios".

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.