Premium Silly season? Qual silly season?

É inevitável, chegam os primeiros dias de calor verdadeiro, o Parlamento deixa de parlamentar, os jogadores de futebol trocam as chuteiras por chinelos de praia e alguém lá vai buscar a expressão: "Pois é, começou a silly season."

Mas, afinal, o que têm o verão e as férias de tão tonto? Se podemos finalmente abrir os livros empilhados, acertar as paixões com os corpos, pensar pelo prazer de pensar e dormir ao ritmo dos sonhos?

Não, o verão não é tonto nem mesmo em inglês. O verão é uma carta de alforria que dura algumas semanas e nos permite recordar o que queríamos ser e não somos, fazer mil planos detalhados que nunca havemos de cumprir. É pouco? Talvez, mas não é tonto.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.