DN+ EUA e Reino Unido: será a relação ainda especial?

O presidente norte-americano, Donald Trump, começou na quinta-feira uma visita de trabalho ao Reino Unido. Desde que chegou à Casa Branca que a relação com Londres tem tido altos e baixos.

Foi o primeiro-ministro britânico Winston Churchill que, em 1944, com a II Guerra Mundial a entrar no último ano, usou a expressão "relação especial" para descrever a ligação entre Reino Unido e os EUA, a sua antiga colónia. Na Casa Branca estava Franklin Roosevelt.

Setenta e quatro anos depois, o presidente Donald Trump chega ao Reino Unido para uma visita de trabalho durante a qual se reunirá com a primeira-ministra Theresa May e manterá um encontro com a rainha Isabel II (no fim de semana segue para a Escócia, onde tem planeado jogar golfe no seu clube em Turnberry). Mas a "relação especial" já viu melhores dias.

A primeira visita

Tudo parecia bem quando May foi a primeira líder internacional a visitar Trump na Casa Branca, em janeiro de 2017, mesmo se a imagem que ficou do encontro foi o presidente norte-americano a dar a mão à britânica para a ajudar enquanto caminhavam.

Mas rapidamente tudo iria mudar, com o anúncio por parte de Trump de que ia impor a sua travel ban (proibição de entrada nos EUA) a cidadãos de sete países de maioria muçulmana, afetando muitos britânicos com dupla nacionalidade. May disse que "não concordava" com a decisão do presidente norte-americano e foi pressionada a cancelar o convite que tinha feito para que Trump fosse ao Reino Unido numa visita de Estado.

Brexit

Trump tem sido um defensor do brexit, dizendo que este é "uma coisa boa", e prometeu "um grande" acordo comercial com o Reino Unido após a saída da União Europeia.

Contudo, antes de deixar Bruxelas (onde esteve na cimeira da NATO), Trump disse que as negociações do brexit parecem estar a sair "um pouco diferente" do que os eleitores britânicos esperavam. O que parece uma crítica a May, que perdeu nesta semana dois dos seus ministros por causa dos planos que tem para a saída da UE.

"O que estamos a fazer responde ao voto dos britânicos", respondeu May, que estará a apostar num soft brexit. A primeira-ministra não ficará feliz se Trump resolver encontrar-se com Boris Johnson, o antigo chefe da diplomacia britânica, que defende um hard brexit. O embaixador norte-americano em Londres disse que não tinha a certeza se tal encontro iria ou não acontecer.

Terrorismo

Trump volta a ser alvo de ataques no Reino Unido depois de criticar no Twitter a resposta das autoridades a uma série de atentados terroristas que atingiram o país em 2017. Um dos seus alvos foi o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan (muçulmano), que acusa diretamente de não levar a sério a ameaça terrorista.

Em setembro, Trump foi mais longe. Poucas horas após a explosão de uma bomba na estação de metro de Parsons Green, o presidente norte-americano usa a rede social para garantir que o responsável era conhecido da polícia britânica e criticando as autoridades por não terem conseguido travar os seus planos. "Acho que nunca ajuda especular sobre uma investigação que ainda está a decorrer", respondeu Theresa May.

Extrema-direita

A primeira-ministra britânica voltou a criticar Trump em novembro, considerando um "erro" o facto de ter partilhado um vídeo antimuçulmano publicado por um grupo de extrema-direita britânico.

"Não te foques em mim, foca-te no destrutivo terrorismo radical islâmico que está a ganhar lugar no Reino Unido. Nós estamos bem", respondeu-lhe Trump.

O caso Skripal e a Síria

Nem tudo foram polémicas e críticas. Os EUA estiveram ao lado do Reino Unido na condenação à Rússia por causa do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal em solo britânico. Londres responsabilizou Moscovo (que negou qualquer envolvimento) pelo caso. Trump expulsou 60 diplomatas russos dos EUA em solidariedade com o Reino Unido.

Também May saiu em apoio de Trump, quando em abril de 2018 a força aérea britânica participou no bombardeamento contra as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, após um alegado ataque químico em Douma. A primeira-ministra britânica não pediu qualquer autorização ao Parlamento para o fazer e foi criticada pela oposição trabalhista.

As tarifas e o G7

A primeira-ministra expressou a sua preocupação sobre a decisão de Trump de impor tarifas às importações de aço e alumínio da União Europeia. O presidente norte-americano ignorou os avisos e Bruxelas disse que iria retaliar, com May a ficar no meio, apelando à calma de ambos os lados.

O Reino Unido espera conseguir um acordo de livre comércio com os EUA após o brexit e não pode arriscar estragar a relação com Washington. Os EUA são o principal parceiro económico do Reino Unido, depois do conjunto da União Europeia.

Na cimeira do G7, quando parecia que se tinha chegado a um acordo, Trump recuou na posição, deixando os aliados numa posição incómoda. Theresa May foi a única a não publicar a sua "versão" da já famosa foto das negociações.

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