Premium Homem-Formiga e a Vespa. "Quando vemos o filme pronto ficamos de boca aberta"

Um dos comediantes-argumentistas do momento em Hollywood, Paul Rudd volta a vestir o fato do Homem-Formiga e falou ao DN em rigoroso exclusivo.

Conhecido da família de humor de Judd Apatow em filmes como És o Maior, Meu! (2009) ou Aguenta-te aos 40 (2012), escreveu Homem-Formiga e a Vespa, o último dos blockbusters da Marvel neste ano. O ator volta a ser decisivo num tom de humor que caracteriza esta nova aventura do herói minúsculo, desta vez com a companhia da aliada Vespa. Homem-Formiga e a Vespa, de Peyton Reed, estreia-se nesta quarta-feira nos cinemas e segue as coordenadas narrativas de Vingadores - Guerra do Infinito.

Não há muito tempo houve um certo escândalo quando se soube que a atriz Claire Foy na série The Crown tinha um cachet inferior ao seu colega Matt Smith. Por acaso, sabe se o seu cheque foi aqui maior do que o de Evangeline Lilly, que interpreta a Vespa do título?

Nem faço ideia! A sério, não sei mesmo, nunca falámos sobre nada disso. É engraçado, à luz de tudo isto que se tem passado, é ótimo podermos ter uma personagem feminina como protagonista! Mas sempre se soube que o segundo filme se iria chamar Homem-Formiga e a Vespa... Já desde os anos 60 que nos comics a continuação passava pelo destaque à Vespa. Este filme tem a mais-valia de representar muita gente e isso é muito fixe. Adoro estar num filme em que a protagonista é uma mulher!

Não o irrita que muita da sua função como ator, neste filme, passe por ser muito específico perante as técnicas dos efeitos visuais e dos cenários em chroma?

Faz parte do trabalho, paciência. Sim, não é divertido nem criativamente recompensador mas não deixou de ser para mim uma experiência nova no primeiro filme. O que é interessante é que somos realmente obrigados a imaginar a cena. Nunca sabemos como vai ser o resultado final. Quando vemos o filme pronto, já com os efeitos todos, ficamos de boca aberta! A escrever também é o mesmo: quando estamos a colocar uma cena na dimensão quantum não sabemos bem o que esperar... Aliás, o quantum no filme é muito mais impressionante do que aquilo que imaginei.

Os filmes do universo da Marvel estão todos ligados entre si. Este então faz referência direta ao último Avengers. Logo, como é que alguém que não tem visto os filmes entra neste Homem-Formiga?

Sim, mas tentámos que as pessoas consigam entrar no filme e seguir a sua trama. A verdade é que quem não viu os outros filmes vai perder certas coisas. Como argumentistas tentámos explicar em algumas cenas o máximo possível. Podemos pensar que há coisas óbvias para quem viu o primeiro, mas ajuda colocar uma ou outra cena que recordem ao espectador o que se passou antes.

É conhecido por ser obcecado por futebol. Acredita que uma estrela de Hollywood tem o mesmo tipo de impacto iconográfico do que um jogador mediático?

O meu filho prefere os jogadores de futebol aos atores de cinema! Se eu fosse um rapper ou um atleta profissional ele ficaria mais impressionado, é-lhe indiferente eu ser o Homem-Formiga... Ele apenas me vê como o seu paizinho.

Por ter ascendência inglesa crê que há algo de humor britânico na sua escrita?

Os meus pais adoravam humor inglês e eu cresci com Monty Python e o Fawlty Towers. Talvez por ter pais ingleses e por ter estado sempre a mudar de casa, senti sempre que o meu humor era algo marginal e diferente de todos os meus amigos. Desde cedo que percebi que se contasse bem uma piada era mais fácil ser aceite socialmente. Continuo a ir muito ao Reino Unido e a seguir tudo o que se passa por lá a nível de comédia.

Não é o único a assinar aqui o argumento. Em que medida se nota mesmo o seu dedo no resultado final?

Desde o começo que tentei ajudar nas fundações da história a seguir. Começámos logo a idealizar esta sequela enquanto finalizávamos o primeiro filme e foi realmente um trabalho de equipa. Queríamos encontrar um conceito muito cool. Seis meses antes de começarmos a rodagem fui até Atlanta para me juntar com os outros argumentistas e o Kevin Feige [o manda-chuva da Marvel] para atirarmos ao ar ainda mais ideias. Foi um processo diário no qual fizemos muitas revisões, perguntas uns aos outros e criámos muitos diálogos. Mas, como isto é um filme Marvel, mesmo durante a rodagem fizemos alterações e acrescentámos coisas ao argumento. Aliás, mesmo depois da rodagem acrescentámos falas novas... É a vantagem de ter uma personagem com uma máscara a cobrir o rosto.

Há um momento em que a personagem de Michelle Pfeiffer se apodera do seu corpo. Quão bizarro é representar a fingir que é a Michelle Pfeiffer?

Foi realmente muito, muito estranho. De repente, estava ali a dar a mão romanticamente ao Michael Douglas e a olhar embevecido para os seus olhos. Estudei, claro, um pouco a maneira como a Michelle representa, mas sem exageros. Tentei que a minha representação não ficasse assim para o assustador. Toda essa cena era tão pateta que chegámos a hesitar, o que raio estávamos ali a fazer!? Se não resultasse, claro que iria para o chão da montagem. Foi aquela cena em que tive mesmo dúvidas antes do realizador dizer "ação!". Rimo-nos tanto quando estávamos a escrever esse momento... Chegámos a batizar a cena de All of Me - Almas do Outro Mundo, devido ao filme com o mesmo nome de Carl Reiner.

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