Portugal evoca centenário do Armistício com grande parada militar

Cerimónia realiza-se uma semana antes das comemorações oficiais em França, a 11 de novembro, onde estará o Presidente da República.

Manuel Carlos Freire
Monumento aos Mortos da Grande Guerra, junto à embaixada de Espanha em Portugal. | foto Elena Liachtchenko/Global Imagens
Desfile comemorativo do 15.º aniversário do Armistício, a 11 de novembro de 1933. | foto Arquivo Global Imagens
Parada militar, em 1935, de homenagem aos mortos da Grande Guerra junto ao monumento na Avenida da Liberdade. | foto Arquivo Global Imagens
Cerimónia de inauguração do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade (Lisboa), em 22 de novembro de 1931. | foto Arquivo Global Imagens
Cerimónia de evocação da Batalha de La Lys em 9 de abril de 1934, junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra. | foto Arquivo Global Imagens
O início das obras de construção do Monumento aos Mortos da Grande Guerra teve lugar em julho de 1926. | foto Arquivo Global Imagens

O interesse do Presidente da República em "dar grande relevo" ao centenário do Dia do Armistício, que simboliza o fim da Grande Guerra, vai transformar a habitual cerimónia evocativa da Liga dos Combatentes num grande evento militar em 2018.

O presidente da Liga, general Chito Rodrigues, disse nesta terça-feira ao DN que a cerimónia vai realizar-se no próximo dia 4 de novembro junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra (1914-1918), na Avenida da Liberdade, Lisboa, e incluirá "uma parada militar com grande projeção".

A razão de ser dessa data, uma semana antes do centenário do Armistício de Compiègne, prende-se com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa nas cerimónias oficiais em França, em representação de Portugal, confirmou o DN.

Segundo Chito Rodrigues, tanto o Ministério da Defesa como o Estado-Maior General das Forças Armadas "apoiam a realização da iniciativa" e estão envolvidos no "planeamento conjunto" da cerimónia, com a Presidência da República e a Liga dos Combatentes.

A parada militar de 4 de novembro vai ser assim mais um significativo evento militar, num ano marcado pela primeira grande celebração pública e mediática do Dia do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), que, nas palavras de um dirigente político ouvido pelo DN, representou uma verdadeira "rentrée política" da instituição militar agora chefiada pelo almirante Silva Ribeiro.

Certo é que a visibilidade e divulgação acrescidas que Silva Ribeiro tem dado à atividade das Forças Armadas traduzem um corte com a visão dos antecessores e, num quadro de falta de efetivos face aos números aprovados, a nova política de comunicação relativa à instituição militar é assumida como forma de a mostrar e mais uma tentativa de atrair os jovens às fileiras, reconheceram diferentes fontes ouvidas pelo DN nas últimas semanas.

A cerimónia de 4 de novembro, além das tropas da Marinha, do Exército e da Força Aérea, adiantou Chito Rodrigues, também está a ter "um apoio muito grande" da GNR e da PSP, as quais vão igualmente marcar presença - talvez por terem participado em missões de paz no estrangeiro, nos últimos anos, ou como mais um gesto de aproximação entre as Forças Armadas e as de Segurança - na parada militar da Avenida da Liberdade.

A cerimónia representa ainda o encerramento das comemorações oficiais do centenário da Grande Guerra, cujo ponto alto foi até agora o da evocação da Batalha de La Lys, a 9 de abril.

Quanto à Liga dos Combatentes, que também evoca em novembro o 97.º aniversário da sua fundação e os 44 anos do fim da guerra em África, os seus 117 núcleos espalhados pelo país e no estrangeiro vão celebrar o centenário do Armistício na data habitual, 11 de novembro.

Após quatro anos de uma guerra que mobilizou mais de 70 milhões de militares e resultou em quase dez milhões de mortos e o dobro de deficientes militares, as partes assinaram o cessar-fogo a 11 de novembro numa carruagem de comboio a norte de Paris.

A reunião teve lugar na floresta de Compiègne - daí o nome por que é conhecido o Armistício - entre as delegações lideradas pelo comandante-chefe das forças aliadas, marechal francês Ferdinand Foch, e pelo ministro de Estado alemão, Matthias Erzberger.

O texto, em termos considerados como humilhantes para a Alemanha, determinou o cessar-fogo imediato, a entrega de todo o material de guerra alemão (incluindo aeronaves e navios) e a saída dos países - Bélgica, França, Luxemburgo - e das regiões invadidas (Alsácia-Lorena e margem esquerda do Reno).

Lisboa participou na frente ocidental da I Guerra Mundial ao lado dos aliados a partir de 1917, com o chamado Corpo Expedicionário Português (CEP). Esta força acabaria por ser derrotada na Batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918, tendo morrido meio milhar de soldados e sido aprisionados mais de 7000.

Em 1923 nascia em Portugal a Liga dos Combatentes da Grande Guerra, que atualmente abrange os que participaram nas guerras posteriores (incluindo as missões de paz iniciadas em 1996).

O Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, começou a ser construído em 1926. A ideia de homenagear aqueles combatentes portugueses surgiu em 1920, por ocasião do segundo aniversário da Batalha de La Lys.

A obra, criada pelos arquitetos Guilherme e Carlos Rebelo de Andrade e do escultor Maximiano Alves, foi inaugurada cinco anos depois, a 22 de novembro de 1931.