Operação Furacão foi a maior investigação de fraude fiscal em Portugal.
Premium

Operação Furacão

As fábricas de faturas falsas dos irmãos Queiroz e Castro chegam a tribunal

Um dos principais inquéritos da Operação Furacão vai a julgamento, com três irmãos acusados de um total de 143 crimes de fraude fiscal qualificada. Dezenas de empresas pagaram os impostos em falta e escapam à acusação mas gestores são indicados como testemunhas em tribunal.

Quando os investigadores da Operação Furacão irromperam pelos escritórios em Lisboa e Porto do grupo PIC/Premier encontraram documentação que revelou um gigantesco esquema de faturação fraudulenta com extensão a lugares como o Reino Unido, as Bahamas ou o estado do Nevada, nos EUA, através do recurso a empresas-veículo para colocar dinheiro em offshores, de que beneficiaram dezenas de empresas e gestores portugueses. Seis empresas do grupo Visabeira, a Soares da Costa, a Colunex ou as conservas Ramirez fizeram parte do grupo de sociedades que aderiram a este circuito de faturas falsas, um dos vários detetados com a Operação Furacão. Foram 49 as sociedades envolvidas neste inquérito, com um total de 36,5 milhões de euros a serem regularizados através da suspensão provisória de processo proposta pelo Ministério Público, em que as empresas e os gestores pagaram o prejuízo devido ao Estado e livram-se de responsabilidades criminais. Mas os responsáveis não escapam a passar como testemunhas pelo julgamento que devia começar terça-feira, dia 12, em Lisboa, mas como ainda decorre o prazo para contestação pelas defesas o tribunal agendou o arranque para o dia 1 de abril, com sessões de manhã e de tarde.

No centro do esquema estão os irmãos Queiroz e Castro e o universo de empresas de consultadoria PIC/Premier. Mário é definido pelos procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) como o mentor de todo o processo, enquanto a irmã Isabel é apontada como quem coordenava os escritórios de Lisboa e Porto. A mais nova, Ana Cristina, estava em Londres, a base da Premier para criar empresas-veículo de forma a fabricar faturação. Estão acusados de 143 crimes de fraude fiscal qualificada (Mário e Ana Cristina de 49, Isabel 45) e vão começar a ser julgados mais de dez anos após o início da investigação. Além dos três promotores, há mais 21 arguidos entre empresas e gestores, todos acusados de um crime de fraude fiscal qualificada. Este é um dos principais inquéritos da Operação Furacão. O despacho de pronúncia tem mais de 1200 páginas e resulta de um processo com 37 volumes e mais de 15 mil páginas. A maioria dos factos ocorreu entre 2001 e 2005, com arguidos a defenderem que os crimes já prescreveram.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Alentejo

Clínicos gerais mantêm a urgência de pediatria aberta. "É como ir ao mecânico ali à igreja"

No hospital de Santiago do Cacém só há um pediatra no quadro e em idade de reforma. As urgências são asseguradas por este, um tarefeiro, clínicos gerais e médicos sem especialidade. Quando não estão, os doentes têm de fazer cem quilómetros para se dirigirem a outra unidade de saúde. O Alentejo é a região do país com menos pediatras, 38, segundo dados do ministério da Saúde, que desde o início do ano já gastou mais de 800 mil euros em tarefeiros para a pediatria.