DN+ Muita ação no topo do edifício mais alto do mundo

Chega às salas Arranha-Céus, um dos primeiros blockbusters deste verão, com um protagonista habitual nestas andanças: Dwayne Johnson.

Dwayne Johnson é um tipo porreiro, com uma atitude impecável. Estamos literalmente cansados de saber isso. Nem nos é permitido sentir saudades... Que o diga quem segue a azáfama constante do ator no grande ecrã, de blockbuster em blockbuster, numa missão interminável que lhe vai enrijecendo os músculos até mais não. Um heroísmo que se conhece de ginjeira e lhe assenta como uma luva. Por isso, em relação a Arranha-Céus (não confundir com o filme homónimo de Ben Wheatley que se estreou no ano passado entre nós), nada de novo. Esta fresquinha produção assinada por Rawson Marshall Thurber, realizador de comédias como Trip de Família e Central de Inteligência (a última já protagonizada por Johnson), chega nesta semana às salas no espírito costumeiro do puro entretenimento de verão. Assim, o que temos da parte de Johnson? O mesmo olhar bondoso numa face robusta, a mesma postura protetora em relação a todos aqueles que precisam e merecem a sua proteção, e as mesmas frases batidas e pirosas que procuram aliviar a ansiedade no meio de um cenário congestionado de ação.

Quem está à espera das vertigens sugeridas pelo título provavelmente vai ficar desiludido - mesmo que veja o filme na sala IMAX. A verdade é que no meio de tanta coisa a acontecer (um arranha-céus em chamas e toda a logística dos vilões), o filme não nos chega a deixar de coração na boca. Dwayne, o pai de família que é o herói desta história, lá anda pendurado no edifício, de todas as maneiras mais improváveis e imaginárias, a testar a nossa capacidade de o seguir nas façanhas e acrobacias - por vezes a tentar arrancar-nos uma lágrima com música piegas que sublinha a coragem ilimitada deste homem com uma prótese na perna... Mas, no fim de contas, não se pode dizer que sentimos mais vertigem neste filme do que noutro qualquer que invista em ação nas alturas.

Arranha-Céus conta a história de um ex-agente do FBI, um homem bom, recém-contratado para gerir a segurança do edifício mais alto do mundo, situado na China, com um sistema de alta tecnologia. E o realizador não perde tempo em dar ao espectador os sinais de que este homem está rodeado de malfeitores prontos a entrar em ação para o tramar... Pois bem, bastam poucos minutos para que o esquema fique à vista e um incêndio deflagre dentro da majestosa arquitetura, no interior da qual se encontram - mesmo no andar em que o fogo é posto - a mulher (Neve Campbell) e os filhos do protagonista. Depois disso, o "modo automático" está ligado e o espectador vai apenas recebendo a confirmação de que tudo corre como esperado.

O mérito do filme, se considerarmos que tem algum, reside exatamente nesse cumprimento à risca da fórmula básica do blockbuster que deixa toda a gente satisfeita. E Dwayne Johnson, como se sabe, faz todo o sentido aqui (entretanto, ele, que é o ator favorito deste tipo de produções, soma e segue com, entre outras, as sequelas Jumanji 2 e San Andreas 2 a caminho).

Por mero acaso alguém pensou no clássico Assalto ao Arranha-Céus (1988)? Esqueçam, Bruce ​​​​​​​Willis não mora definitivamente aqui.

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