Premium Motociclismo no Campo Grande e uma colónia para crianças pobres

Abria portas há 87 anos a primeira colónia balnear da Cruz Quebrada, com um almoço oferecido aos protegidos e presença de Carmona. Em pleno Campo Grande, anunciava-se a vitória de Abel Pessoa no primeiro Circuito de motos

Lisboa era então uma cidade bem diferente, como se vê nesta edição do Diário de Notícias, verdadeira prova de uma época. Em pleno arranque dos anos 1930, organizavam-se, por exemplo, corridas de motos no Campo Grande. "O primeiro Circuito para Motocicletas que se realizou sob a direção do Moto Club de Portugal (SUL) com o patrocínio do sr. governador civil de Lisboa, obteve um grande êxito, decorrendo as provas sempre com grande entusiasmo e tendo assistido alguns milhares e espectadores", relatava este diário, revelando a presença dos mais ilustres do país entre a assistência. "Na tribuna de honra tomou lugar o sr. Presidente da República, ladeado pelos srs. general Amílcar Mota, chefe do Estado Maior do Exército, e o brigadeiro Daniel de Sousa, governador militar de Lisboa."

A prova teve dois vencedores: Mário Ferreira, na categoria Corrida, e Abel Pessanha na divisão Sport, depois de cumprirem as 35 voltas ao percurso - 102 quilómetros - nas suas motos.

Noutras paragens, noticiava-se ainda o êxito de uma causa solidária: a inauguração da Colónia Balnear da Cruz Quebrada, com um almoço um "almoço de homenagem ao sr. governador civil" e sob o olhar atento do "sr. Presidente do Ministério".

Presente estava também o Presidente da República, Óscar Carmona, que recebeu com agrado a "carinhosa manifestação das criancinhas empunhando pequenas bandeiras verdes e encarnadas", lia-se no destaque desta edição do Diário de Notícias do dia 12 de julho de 1931.

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Rosália Amorim

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Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.