Premium Escapar à Síria para voltar à Arménia de onde os avós fugiram

Em 1915, no Império Otomano, tiveram início os acontecimentos que ficariam conhecidos como o genocídio arménio. Ainda hoje as duas nações continuam de costas voltadas, em grande parte porque a Turquia não reconhece que tenha havido uma matança sistemática. Muitas famílias procuraram então refúgio na Síria. Agora, devido à guerra civil que começou em 2011, os netos daqueles que fugiram voltam a deixar tudo para trás.

Trouxe consigo apenas a recordação. Nada mais. Nem sequer uma fotografia para ajudar a memória a não perder os detalhes. De todos os bocados de vida que deixou para trás ao fugir da guerra na Síria, aquele é o que mais lhe dói. Um quadro que tinha pendurado numa das paredes de casa. Foi pintado pelo pai e pelos irmãos. Nele, conta, "há um cavalo selvagem preso pelo pescoço que tenta libertar-se". Agressivo e desesperado no movimento. Um animal em fúria que luta pela liberdade para escapar à matança. "Nunca vi o sofrimento tão bem retratado em nenhuma outra obra", diz Andranik Chaushian, explicando que a pintura "retrata o genocídio arménio".

Três gerações volvidas, as armas voltariam a empurrar o destino da família. Tudo começou durante a Primeira Guerra Mundial, quando os avós arménios foram obrigados a fugir do território da atual Turquia. A Síria acabou por ser o destino. Um século mais tarde, e também para tentar fugir à morte, Andranik pegou na família e partiu. Deixaram a vida que tinham em Qamishli, uma cidade no noroeste do país, junto à fronteira turca. Mas desta vez a fuga não foi para longe das raízes, mas sim para regressar a casa. Um retorno à mesma "mãe Arménia" que os antepassados tinham sido obrigados a abandonar.

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