Premium Permitir pode ser útil, mas é  sobretudo necessário

Na nossa sociedade, o papel do binómio proibição-permissão tem assumido grande relevo. A verdade é que uma das primeiras coisas que nos ensinam é precisamente o que nos é interdito e o que nos é permitido. Tem sido a primeira base estruturante do indivíduo, a nível comportamental e educacional, desde a infância, através da adolescência e até à idade adulta. É frequentemente na perceção que resulta deste binómio que alicerçamos as nossas noções do certo e do errado, do lícito e do ilícito, quando falamos de vida em comunidade. Nesta perspetiva, a da harmonização de costumes e modos de estar em conjunto, é óbvia a sua utilidade para a ordem estabelecida. Mas, quando falamos numa perspetiva mais complexa e mais ampla, como a das políticas públicas de saúde e sociais, o simples proibir basta? Não deveremos nós, enquanto pais, cidadãos e responsáveis políticos, ter a maturidade suficiente para atingir aquela fase de questionação saudável que todos atravessamos, em que se reflete sobre a proibição, a sua prática e a sua utilidade?

A abordagem atual à canábis, como solução, tornou-se socialmente mais tóxica do que a substância que quis proibir.

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