Premium A ilha dos Bijagós onde os turistas não vão de férias

Em Soga, na época do caju, ganha-se algum dinheiro que depressa se vai. O resto do ano sobrevive-se com aquilo que a terra e o mar vão dando. Vidas muito duras as destas centenas de guineenses, com a capital, Bissau, a três horas de lancha rápida. Perto, há algumas ilhas turísticas, com eco-resorts, mas aqui ver um branco é raro, mesmo que o nome Ronaldo surja numa parede.

A figura franzina, de barba branca, túnica castanha e chapéu azul, ali à beira-mar, chama-se Francisco Matias e diz ser chefe de uma tabanca, um régulo. Fala um pouco de português, que chega para se fazer entender. "Aprendi no tempo dos portugueses", explica, como se fosse preciso, 45 anos depois da partida do colonizador. Tem o filho doente e nunca mais chega uma canoa que os leve a Bubaque, a ilha dos Bijagós onde existe hospital.

Pergunta se vamos demorar em Soga, se podemos levá-los no regresso. Prometemos que sim, se nenhum barco tiver entretanto chegado. E oferecemos uma garrafa de água, de marca portuguesa, que são as que se vendem na Guiné. O filho, com t-shirt azul a dizer DDR com o escudo da Alemanha comunista, treme todo, apesar dos quase 40 graus.

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