Premium O Brexit à beira do precipício

A história diz-nos que não devemos tirar conclusões da falta de acordo neste momento.

A explosão de Donald Tusk imaginando um "lugar especial no inferno" para os defensores do Brexit sem acordo no Reino Unido mostra-nos que ele avançou para a próxima fase dos cinco estágios do luto. O presidente do Conselho Europeu está zangado porque percebeu finalmente que o Brexit vai realmente acontecer, e que o Reino Unido poderá deixar a UE sem um acordo. O senhor Tusk provavelmente ainda está confuso mas, pelo menos, agora está confuso a um nível mais elevado.

O reconhecimento da realidade é um passo importante no caminho para a aceitação. Uma coisa é dizer que se está à espera que alguma coisa aconteça, mas outra bem diferente é acreditar nisso. E aqueles que agora estão em pânico tendem a ser os mesmos que eram anteriormente os mais complacentes. A comunicação social alemã, que acompanho de perto, passou os últimos dois anos e meio concentrada na campanha para realizar um segundo referendo. Cada palavra de Tony Blair ou John Major, dois ex-primeiros-ministros britânicos pró-UE, era notícia de primeira página, assim como as grandes manifestações anti-Brexit. Recentemente, o tom mudou. De repente, aparecem inúmeros comentários do género "Oh meu Deus, isso está realmente a acontecer".

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Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

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Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

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Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.