Premium O Brexit à beira do precipício

A história diz-nos que não devemos tirar conclusões da falta de acordo neste momento.

A explosão de Donald Tusk imaginando um "lugar especial no inferno" para os defensores do Brexit sem acordo no Reino Unido mostra-nos que ele avançou para a próxima fase dos cinco estágios do luto. O presidente do Conselho Europeu está zangado porque percebeu finalmente que o Brexit vai realmente acontecer, e que o Reino Unido poderá deixar a UE sem um acordo. O senhor Tusk provavelmente ainda está confuso mas, pelo menos, agora está confuso a um nível mais elevado.

O reconhecimento da realidade é um passo importante no caminho para a aceitação. Uma coisa é dizer que se está à espera que alguma coisa aconteça, mas outra bem diferente é acreditar nisso. E aqueles que agora estão em pânico tendem a ser os mesmos que eram anteriormente os mais complacentes. A comunicação social alemã, que acompanho de perto, passou os últimos dois anos e meio concentrada na campanha para realizar um segundo referendo. Cada palavra de Tony Blair ou John Major, dois ex-primeiros-ministros britânicos pró-UE, era notícia de primeira página, assim como as grandes manifestações anti-Brexit. Recentemente, o tom mudou. De repente, aparecem inúmeros comentários do género "Oh meu Deus, isso está realmente a acontecer".

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Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.